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Defesa de monografia

Nesta quarta-feira (09/12) as 9:00 horas, o aluno Rodrigo Ferreira Gomes defenderá sua Monografia intitulada: estudo de tempo, movimento e comportamento em campo de espécies arbóreas oriundas de mudas produzidas em tubetes e sacos plásticos.  Rodrigo é orientado pelo professor Paulo Sérgio Leles, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que vem conduzindo estudos relacionados ao aprimoramento das técnicas silviculturais para formação de povoamentos florestais visando a restauração florestal, com ênfase em estudos sobre controle de plantas daninhas e uso de biossólido de lodo de esgoto como adubação de plantio. Muitos dos alunos do Professor Leles fazem os seus experimentos aqui na REGUA.

O link para o seminário é:  https://meet.google.com/ccq-zyjo-bov

Rodrigo realizando trabalho em campo (©Paulo Sérgio Leles).

Programa de Monitoramento Florestal.

Um reflorestamento bem sucedido depende da correta prática de manejo e de sua periodicidade (© Tatiana Horta).

 

Após o período de plantio das mudas florestais para a restauração ecológica, a fase conhecida como pós-implantação consiste na manutenção dessa futura floresta. É importante proteger as mudas plantadas especialmente dos efeitos negativos das plantas daninhas oportunistas, de pragas e doenças e quando necessário, repor (fazer o replantio) os berços falhados com novas mudas. Os objetivos dessa etapa compreendem tanto oferecer condições para o desenvolvimento das mudas no campo, como promover o estabelecimento delas. Um reflorestamento bem sucedido depende da correta prática de manejo e da periodicidade necessária à realização desta atividade. Em geral, existe um planejamento para este tipo de manutenção a cada 90 ou 120 dias, contados a partir do plantio. Consequentemente, as ações de manutenção favorecem a restauração e o restabelecimento dos processos ecológicos na área restaurada, a longo prazo.  

 

Dentre os serviços ecossistêmicos prestados pelo ambiente recuperado, podem ser citados: a melhoria do microclima local e regional, a regulação térmica e hídrica, a estabilidade de encostas, o aumento da qualidade e quantidade dos recursos hídricos e a garantia de biodiversidade através da conexão dos fragmentos de remanescentes florestais a partir da criação de corredores ecológicos. Para acompanhar se a nova floresta está se desenvolvendo adequadamente e cumprindo o seu papel ecológico é necessário monitorar e avaliar o seu crescimento. O objetivo do monitoramento florestal é acompanhar a evolução e medir tanto a qualidade como o sucesso dos plantios.  

 

Temos duas etapas de monitoramento: a primeira, que atende a Resolução INEA nº 143 de 14 de junho de 2017 e tem como objetivo avaliar a qualidade dos plantios; e a segunda, que avalia a biomassa acumulada e o estoque de carbono nos plantios de restauração do Projeto Guapiaçu. Este projeto é executado pela REGUA com o financiamento da Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental.                       A primeira etapa do monitoramento deve ser realizada anualmente após a implantação de projetos de restauração para fins de quitação de compromissos e obrigações legais. Neste monitoramento, utiliza-se o Manual de Procedimentos para o Monitoramento e Avaliação de Áreas em Restauração Florestal no Estado do Rio de Janeiro e a metodologia escolhida é o Diagnóstico Ecológico Rápido – DER.  

 

 

O Diagnóstico Ecológico Rápido – DER é a metodologia empregada durante o monitoramento (©Aline Damasceno).

Ele é baseado na medição direta de sete parâmetros ecológicos, que são: densidade de plantio, percentual de espécies zoocóricas, altura das plantas, equidade, riqueza de espécies, cobertura de copa e cobertura de gramíneas. A partir da avaliação destes parâmetros, espera-se observar a chegada espontânea de novos indivíduos da flora na regeneração natural, a presença de florações e frutificações para algumas espécies de mudas plantadas (em especial as espécies pioneiras) e também a presença da fauna no local, como insetos, aves, roedores e pequenos mamíferos. 

 

A segunda etapa é realizada após o quarto ano de implantação. Os plantios realizados na primeira fase do Projeto Guapiaçu, que reflorestou 100 hectares entre os anos de 2013 e 2015, receberam a certificação de carbono pela Aliança Clima Comunidade Biodiversidade (ACCB). Esta certificação teve como objetivo conferir um selo de qualidade a estes plantios que foram muito bem executados pela Regua. Os plantios realizados nas fases subsequentes deste projeto (mais 160 hectares) foram incorporados ao plano de monitoramento de acúmulo de biomassa, conforme metodologia e pressupostos certificados junto a ACCB, e podem receber a certificação quando completarem quatro anos de implantação. 

 

Equipe de campo durante o monitoramento (©Aline Damasceno).

 

O monitoramento de biomassa acontece a partir do quarto ano porque necessita que as mudas estejam com o seu DAP (diâmetro à altura do peito) mais desenvolvido para que possa utilizá-lo como parâmetro na aplicação de equações alométricas. Estas equações são usadas para a análise de biomassa e estoque de carbono nos plantios, bem como para obter os valores de CO2 sequestrado pela nova floresta.  Com isso, a REGUA assumiu o compromisso de monitorar o acúmulo de biomassa nestes plantios pelos próximos 30 anos. Espera-se que ao longo dos 30 anos sejam estocados mais de 13.500 toneladas de carbono e 49.680 toneladas de CO2 equivalente sejam removidos da atmosfera.

Uma atualização sobre a restauração florestal na REGUA (Agosto de 2020).

 

As atividades de restauração ecológica seguem com todos os cuidados e medidas preventivas de saúde aos trabalhadores durante este período de quarentena.

Até o momento já reflorestamos 18 hectares na área da REGUA, com o plantio de aproximadamente 30.000 mudas de 113 espécies diferentes. A manutenção das áreas do projeto plantadas nos anos de 2017 e 2019 também estão sendo realizadas. Além disso, estamos nos preparando para plantar mais 14 hectares em áreas de parceiros das comunidades do entorno da REGUA.

Assim, nossos parceiros produtores rurais, terão a oportunidade de recuperar as suas Áreas de Preservação Permanente (APP), principalmente as produtoras de água como nascentes e as matas ciliares (beiras de rios). Para isso, um banco de áreas para restauração está sendo criado, com a parceria entre os proprietários de novas áreas e a REGUA.

O pai das florestas plantadas

Maurício Noqueira, ‘o pai das florestas plantadas’ –, segura nas mãos uma das mais de 500 mil mudas que passaram por seu cuidado na REGUA, Brasil. Imagem por: ©Micaela Locke

 

Maurício Noqueira é o chefe do viveiro na Reserva Ecológica de Guapiaçu há 15 anos. Quase meio milhão de mudas nativas da Mata Atlântica plantadas em áreas da REGUA passaram pelas mãos de Maurício. Diante deste fato, temos o orgulho de chamá-lo de ‘o pai das florestas plantadas’.

A Mata Atlântica é considerada um hotspot por conter uma rica biodiversidade, inclusive maior que a da Floresta Amazônica, além de um alto grau de endemismo. É também a segunda maior floresta tropical da América do Sul, já que se estende ao longo da costa desde o Rio Grande do Norte até o nordeste da Argentina. Esta floresta também está ameaçada, já que sofreu anos de perda de habitat deixando-a com um tamanho bastante reduzido. Estimativas nos informam que variam de menos de 16% a 7%, dos quais muitos são fragmentos florestais.

A REGUA já plantou um pouco mais de meio milhão de mudas desde 2004, reconectando fragmentos de florestas isolados e reflorestando 384 hectares de terrenos degradados no Vale do Guapiaçu. Imagem por: ©Barry Yates.

A alta bacia do rio Guapiaçu, onde a REGUA está inserida, está coberta por extensiva floresta em topos de morros íngremes, assim como pequenos fragmentos de florestas em sua baixada. Logo, um dos nossos objetivos é reflorestar o máximo que pudermos, e quando possível, reconectar fragmentos florestais ao principal bloco de floresta.

O programa de reflorestamento começou em 2001, com os primeiros plantios feitos em 2004. Desde então, a REGUA já reflorestou em torno de 340 hectares e plantou aproximadamente 550 mil mudas, das quais 300 mil começaram a ser plantadas a partir de 2012 em parceria com o Projeto Guapiaçu, programa financiado pela Petrobrás Socioambiental. O viveiro foi construído em 2005 e gradativamente foi crescendo até poder acomodar 20 mil mudas por ano. Em 2012, após um rearranjo e mudança de espaço físico do viveiro, a produção anual de mudas também aumentou. O número de mudas produzidas no viveiro a partir da parceria com o Projeto Guapiaçu tem chegado a 100 mil por ano.

Maurício trabalhando no primeiro viveiro com a ajuda dos primeiros voluntários internacionais que vieram à REGUA. Imagem por: ©Lee Dingain.

Maurício da Canceição Nogueira, criado no vilarejo de Guapiaçu, sonhava em ser motorista de caminhão para poder percorrer e conhecer o Brasil por inteiro. Porém em 2001, ele se tornou um dos primeiros funcionários da REGUA e aceitou o trabalho como guarda-florestal. Após 3 anos de trabalho nas matas, abrindo trilhas e avistando espécies ameaçadas e endêmicas como o Muriqui-do-Sudeste (Brachyteles arachnoides), juntamente com o seu colega de trabalho Rildo da Rosa Oliveira, ele passou a ser o jardineiro encarregado da manutenção dos jardins da Pousada e das áreas próximas ao centro de visitantes da REGUA. Paralelamente a este trabalho, Maurício começou a coletar sementes e a produzir mudas para o programa de reflorestamento. À medida que mais áreas iam sendo disponibilizadas para o reflorestamento, suas funções e responsabilidade no viveiro aumentaram.

Maurício arrumando as mudas no viveiro, que atualmente pode produzir até 100 mil mudas por ano para serem utilizadas nas áreas de reflorestamento da REGUA. Imagem por: ©Micaela Locke.

Com vontade de crescer em sua profissão e se tornar um especialista em reflorestamento, Maurício buscou treinamento profissional. Ele atendeu cursos que abordavam temas como coleta de sementes, germinação, produção e qualidade de mudas, espécies importantes para o reflorestamento, além de aprender nomes científicos de espécies. Com a afinidade e o sucesso em produzir mudas e seus cursos completados, Maurício se tornou o chefe do viveiro em 2005, que atualmente tem a capacidade de produzir até 100 mil mudas por ano.

Cerca de 180 espécies de espécies nativas da Mata Atlântica são produzidas no viveiro. A maioria das espécies são pioneiras, caracterizadas pelo rápido crescimento, intolerantes à sombra e primeiras colonizadoras como o Araribá-rosa (Centrolobium tomentosum) e o Pau-jacaré (Piptadenia gonoacantha). Outras espécies secundárias, como o Cedro (Cedrela fissilis), também são produzidas, assim como espécies climácicas, características de florestas mais maduras, como o gigante Jequitibá-rosa (Cariniana legalis), a árvore mais alta da Mata Atlântica. Plantar uma variedade de espécies de diferentes estágios de crescimento aumenta a variedade em um reflorestamento e ajuda na sucessão natural. Apesar das espécies pioneiras apresentarem um rápido crescimento, que vai de 1,5 a 2 metros de altura por ano, as mudas de espécies de crescimento mais lento têm vida mais longa e facilmente superam as pioneiras no sub-bosque sombreado, dominando a floresta recém-formada à medida que o dossel se torna mais denso.

No verão, as mudas precisam ser irrigadas duas vezes por dia, uma árdua tarefa especialmente em tempos de plantio, que exige uma grande produção de mudas diária. Imagem por: ©Micaela Locke.

A maior parte das mudas são produzidas a partir de sementes coletadas na floresta pelos guardas-florestais e pelo Maurício, que mantém registros das matrizes, árvores que são capazes de produzir sementes de boa qualidade, e suas coordenadas geográficas. Algumas sementes são coletadas no chão, porém outras devem ser coletadas da própria árvore, e para isso, Maurício usa a técnica de rapel. As sementes coletadas nos topos das árvores são dispersadas pelo vento, por isso Maurício fez o curso de rapel, no Parque Estadual dos Três Picos, para aprimorar a técnica de coleta de sementes.

A época de plantio na REGUA coincide com a estação chuvosa durante o verão. As chuvas constantes ajudam na fixação e crescimento das mudas. Imagem por: ©Alan Martin.

Uma vez germinadas, as plântulas são transportadas para sacos de plástico ou tubetes para se desenvolverem e virarem mudas que serão levadas para as áreas de reflorestamento. Maurício rega as mudas duas vezes por dia e a limpeza de ervas daninhas é uma tarefa sem fim, especialmente no verão. Algumas espécies, como a Braúna (Melanoxylom brauna), que são importantes devido à qualidade de sua madeira, são mais sensíveis e exigem um maior cuidado durante seu desenvolvimento. Ver o crescimento dessas espécies traz orgulho para o Mauricio, e ver espécies mais exigentes como a Braúna crescerem, traz uma sensação de dever cumprido.

Plantar as mudas requer trabalho em equipe. Todo ano durante o período chuvoso, as mudas são transportadas na caminhonete do viveiro até a área de plantio, e muitas vezes, mulas são usadas para levar as mudas até os topos dos morros. É um trabalho que exige resistência física, geralmente no período mais quente do ano, porém aproveitando essa estação chuvosa para que as mudas cresçam rapidamente. A manutenção é essencial pois as principais ameaças vão de formigas, que se alimentam das folhas e podem atrapalhar o crescimento das árvores em formação, controle de ervas daninhas e irrigação em tempos de seca. Contudo, graças à qualidade das mudas e manutenção pós plantio, a REGUA alcançou uma taxa de sobrevivência de mudas de 95%.

O plantio requer grande esforço e trabalho em equipe, especialmente porque exige resistência física e poque em geral é feito em terrenos íngremes. Imagem por: ©Nicholas Locke.

Essencial ao crescimento profissional do Maurício está a Engenheira Florestal e Mestre Aline Damasceno, que atualmente faz parte da equipe do Projeto Guapiaçu. Ela pode ser considerada a sua mentora pois transmitiu a ele seu conhecimento, experiência e paixão pelo seu trabalho com as árvores. Graças a ela, também, a infraestrutura do viveiro pôde ser melhorada, além dela ter sido instrumental na obtenção de recursos para outros programas de reflorestamento. A fim de incentivar o trabalho de reflorestamento conduzido na REGUA, Aline e Maurício também deram cursos de coleta e produção de mudas para os guardas-florestais da REGUA e guarda-parques do Parque Estadual dos Três Picos.

Maurício tem muito orgulho do trabalho que vem desempenhando na REGUA e fica muito satisfeito com o seu reconhecimento como chefe do viveiro. Com futuras áreas a serem adquiridas pela REGUA, que o Maurício possa seguir com sua belíssima e valiosa contribuição.

Maurício no viveiro da REGUA. Imagem por: ©Micaela Locke.
Maurício no viveiro da REGUA. Imagem por: ©Micaela Locke.

 

Projeto socioambiental da Petrobras em Guapiaçu III (2020-2022)

O time do Guapiaçu III (© Breno Viana)
O time do Guapiaçu III (© Breno Viana)

A REGUA tem o prazer de anunciar que a Petrobras Socioambiental renovou o financiamento do GGV ou o agora renomeado ‘Projeto Guapiaçu III’. O projeto continua com seus objetivos em restauração e educação. Além de fortalecer o ecossistema da Mata Atlântica na REGUA através do plantio de árvores e continuar apoiando a educação, um novo elemento será o apoio oficial ao programa de reintrodução da Anta em curso na reserva.

Restauração florestal: Um misto de plantio de árvores e regeneração natural em 100 hectares ocorrerá na bacia hidrográfica de Guapiaçu, bem como o monitoramento de 260 hectares financiados pela Petrobras com o objetivo de medir o seqüestro de carbono. As árvores nativas são plantadas usando uma mescla de espécies pioneiras, secundárias e clímax. Além disso, este projeto identificará e selecionará mais 190 hectares dentro da bacia hidrográfica como parte de um banco de dados de restauração.

Educação ambiental: as escolas primárias e secundárias continuarão a visitar a REGUA na “trilha Grande Vida”, que vai desde o início da trilha amarela até a ponte de madeira. Os primeiros 400 metros da trilha foram adaptados para receber visitantes portadores de deficiência física. Cartazes autoexplicativos ao longo da trilha descrevem alguns processos florestais e alguns dos trabalhos de conservação realizados no REGUA. A equipe do projeto visitará jardins de infância nos municípios de Cachoeiras de Macacu e Itaboraí.

O GGV continuará com o programa de monitoramento da qualidade da água, envolvendo 80 alunos do ensino médio treinados pela equipe para monitorar a qualidade da água dos rios Guapiaçu, Macacu e Caceribu em determinados locais de amostragem ao longo de cada rio (áreas urbanas a montante e a jusante) para fornecer dados sobre as características físicas dos rios e características químicas. A equipe também estudará indicadores biológicos da qualidade da água.

Programa de apoio à reintrodução da anta: Guapiaçú III O projeto socioambiental da Petrobras patrocinará o transporte e o equipamento de telemetria bem como o programa de promoção e extensão comunitária na área. Outras seis antas serão liberadas na REGUA a partir de junho de 2020.

Os 14 anos de reflorestamento na Reserva Ecológica de Guapiaçu (Regua)

Qual é a necessidade de reflorestar se a mata retorna sozinha? – Essa é uma percepção do público leigo e, também, a pergunta mais respondida na Regua desde 2004. A resposta não é simples.

De antemão, a Regua é uma organização não governamental (ONG) ambiental localizada em Cachoeiras de Macacu, RJ, com a missão de conservar a alta bacia do Rio Guapiaçu, uma bacia estrategicamente importante na produção hídrica para a área leste da Baía Guanabara. Cerca de três milhões de pessoas bebem a água proveniente da Bacia do Rio Guapiaçu, que possui aproximadamente 60% da mata nativa em diversos estágios de recuperação. Será que essa cobertura florestal é suficiente para garantir abastecimento hídrico eternamente?

A área dos alagados na REGUA, tal como se apresentava nos finais dos anos 90, com pastos e uma plantação de macadâmia (à esquerda, na foto; Acervo REGUA).

Quatro ações essenciais apoiam a missão institucional: a proteção das florestas através de um quadro de guarda-parques e da criação da RPPN; a inclusão social através de um amplo programa de educação ambiental e visitação; o apoio e o incentivo a pesquisas para compreender como as florestas funcionam; e, por último, um programa de reflorestamento que, além de contribuir para uma maior funcionalidade ecológica, gera emprego e renda. Ao longo de 14 anos, foram plantadas quase meio milhão de árvores nativas da Mata Atlântica em 300 ha de áreas degradadas, utilizadas em parte pelo INEA, para o desenvolvimento de critérios para o monitoramento de resultados a respeito da recuperação florestal.

Quanto à pergunta inicial, a resposta é: depende. A regeneração natural não é simples nem instantânea. Mesmo que o processo de reflorestamento seja natural, áreas muito degradadas simplesmente não voltam ao seu estado original, tanto em relação à beleza cênica quanto à biodiversidade. Fruto de muita pesquisa, o reflorestamento hoje permite uma recuperação florestal relativamente rápida, beneficiando a biodiversidade associada, gerando emprego local, definindo planejamento territorial e permitindo a plena continuidade dos serviços ambientais dos quais dependemos, como a produção de água em quantidade e qualidade. O reflorestamento é a revolução verde do século XXI, combatendo a crise ambiental global em larga escala. Então, qual é o segredo do sucesso? – A resposta, simples, é: responsabilidade, uma atitude básica fundamentada em conhecimento, dedicação e valoração da atividade. O conhecimento florestal vem de uma preocupação com a crise ecológica. Nossa própria sobrevivência neste planeta depende do equilíbrio entre os mundos bióticos e abióticos. Não é fácil compreender toda a dinâmica, mas evidentemente temos obrigação de recuperar áreas degradadas, observar como funciona a complexa ordem fitossocial das florestas, suas matrizes, e nos familiarizarmos com as peculiaridades na produção de mudas de qualidade para cada espécie, com vistas à recuperação de áreas em larga escala. A observação faz melhorar a técnica. A dedicação faz conhecer e organizar as técnicas, melhorando o planejamento.

A mesma área nos finais de 2012 (Acervo REGUA)

O sucesso das ações investidas é fruto de muita dedicação. A valoração da atividade passa pela oportunidade de acompanhar o crescimento de uma árvore e o desenvolvimento da nova floresta em seus processos ecológicos. Como não ficar sensibilizado segurando uma semente, puro germoplasma, um organismo em toda a sua potência? – Pensamos nos mistérios de cada semente e naquilo que ela se tornará, desde a sua germinação até a formação da floresta: a composição perfeita de substrato, as tolerâncias hídricas, a rustificação no viveiro, o transporte ao campo, a preparação dos berços, a adubação ideal e os cuidados de manutenção. Essa deve ser a sensibilidade e o objetivo de cada reflorestador. Plantar “sempre” e “mais” árvores é uma obrigação na Regua, assim como monitorar todo o processo, unir esforços entre os atores e estabelecer os meios mais efetivos de comunicação para que o público possa entender que o reflorestamento é uma proposta séria e atual, capaz de inspirar as atuais e futuras gerações.

A Regua agradece a oportunidade de receber recursos de parceiros que nos ajudaram a plantar esses 300 hectares com mais de 200 espécies nativas, que hoje atraem visitantes do mundo todo, observadores de aves, representantes da academia e amantes da natureza em geral; permitindo que desfrutem desse sonho conquistado. Reflorestar é contribuir com amor para a nossa belíssima Mata Atlântica; é também a única forma de garantir a sua conservação perpétua.

Projeto Guapiaçu Grande Vida renovação 2017-2019

Equipe Guapiaçu Grande Vida
Equipe Guapiaçu Grande 1 Fevereiro 2018 (© Thomas Locke)

Com muita alegria anunciamos o retorno do bem-sucedido projeto Guapiaçu Grande Vida (GGV) patrocinado pelo edital Petrobras Ambiental que visa contribuir para o fortalecimento do ecossistema da alta bacia do rio Guapiaçu onde a REGUA se encontra inserida.

A restauração florestal e a educação ambiental são os dois pilares desta reedição do projeto GGV que teve um desempenho impecável nestas duas áreas na sua primeira versão (2013-2015).

O lançamento oficial do projeto GGV (2017-2019) aconteceu no dia 21 de setembro 2017 no auditório da Prefeitura Municipal de Cachoeiras de Macacu. Representantes da Petrobras, autoridades municipais e membros da sociedade civil organizada compareceram para prestigiar o evento.

O projeto GGV realizado pela REGUA com patrocínio da Petrobras fechou uma parceria estratégica com a Secretaria Municipal de Educação. Dois profissionais do ensino da rede municipal foram cedidos para auxiliar nos trabalhos desenvolvidos pela equipe de educação ambiental deste projeto.

Visita à REGUA – Professor Carlos Quintanilha e alunos da rede pública de Cachoeiras de Macacu, Marcha 2018 (© Vitória Lima)

A trilha interpretativa “GGV” na área dos alagados da REGUA será o carro-chefe da visitação escolar prevista no desenrolar do projeto, sendo que parte essencial da mesma será adaptada para o uso por parte de pessoas portadoras de necessidades especiais.

O programa piloto de ‘Monitoramento da Qualidade dos Recursos Hídricos da bacia Guapi-Macacu’ está sendo realizado com estudantes do Colégio Municipal Carlos Brandão e o CIEP 479 Dr Mario Simão Assaf. Numa primeira fase foram selecionados 20 jovens não só pelo seu desempenho escolar, como também atendendo aos quesitos de liderança, responsabilidade, disponibilidade e criatividade. Estes jovens participarem de aulas de capacitação teórica-prática (20 horas) no centro de Visitantes da REGUA. As amostras de água coletadas em 12 pontos dos rios da região serão analisadas pelos jovens com a supervisão da equipe GGV. Os resultados alimentarão um diagnóstico real das condições dos rios do município.

Reflorestadores na área do reflorestamento Guapiaçu Grande Vida, área do Pai Velho, Marcha 2018 (© Tatiana Horta)
Área do reflorestamento Guapiaçu Grande Vida, área do Pai Velho, Marcha 2018 (© Tatiana Horta)
Reflorestadores na área do reflorestamento Guapiaçu Grande Vida, área do Pai Velho, Marcha 2018 (© Tatiana Horta)

Estão planejados também cursos práticos e teóricos para restauradores, cursos de capacitação para professores e oficinas de formação de condutores de trilhas.

A restauração florestal retomada pelo projeto GGV por meio do patrocínio da Petrobras será levada a cabo em uma área de 60 hectares conhecida como ‘Morro do Pai Velho’. Todas as mudas a serem plantadas são oriundas do nosso viveiro – o qual tem uma capacidade de produção de mais de 120.000 mudas/ano – produzidas a partir de sementes coletadas localmente.

Equipe GGV patrocinada pela Petrobras Ambiental /2017-2019:

Gabriela V. Moreira, Gerente de Projeto
Tatiana Horta, Gerente de Educação Ambiental
Lorena Asevedo, Geógrafa
Aline Damasceno, Engenheira Florestal
Nathalie Horta, Mídias Sociais e Comunicação
Ana Carolina Moreira, Gerente Administrativa e Pedagoga
Vitória Dias Lima, Auxiliar Administrativo
Carlos Quintanilha, Educador Ambiental
Patrick Oliveira, Educador Ambiental

Área do reflorestamento Guapiaçu Grande Vida, área do Pai Velho, Marcha 2018 (© Tatiana Horta)
Visita à REGUA – Ana Carolina Moreira e o Professor Carlos Quintanilha com alunos da rede pública de Cachoeiras de Macacu (© Vitória Lima)