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As árvores da Mata Atlântica: a Braúna (Melanoxylon brauna)

A Braúna em uma das áreas reflorestadas pela REGUA (©Raquel Locke)

A braúna é uma espécie arbórea endêmica da Mata Atlântica, pertencente à família Leguminosae, encontrada no sul do estado da Bahia, Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Seu estado de conservação na categoria “Vulnerável” pela IUCN remete ao uso intensivo da sua madeira compacta e pesada na indústria civil assim como na confecção de instrumentos musicais, cabos de ferramenta, postes e mourões. A braúna é uma espécie semi-decídua, heliófita, encontrada em florestas tanto primárias como em florestas secundárias tardias. Sua dispersão se dá pela ação do vento (anemocórica).  Este exemplar se encontra na área do “Francês”, que são nossos vizinhos e parceiros.

Braúna em flor (©Raquel Locke)

 

A Dahlstedtia

Em uma caminhada por uma das áreas da REGUA, foram vistas as plantas do gênero Dahlstedtia que ocorrem exclusivamente no bioma Mata Atlântica, nos estados de Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O gênero é constituído por duas espécies: D. pinnata e D. pentaphylla, embora muitos autores as considerem monotípicas. Apresentam porte arbóreo-arbustivo, inflorescências grandes, tubulosas e vistosas.

Conhecida como “Timbo”, suas flores são muito visitadas por beija-flores, que as polinizam. Sua casca e raíz esmagadas têm a capacidade de atordoar e asfixiar os peixes, prática utilizada no passado pelos povos autóctones da região, ao pescar.

Dahlstedtia em flor (© Raquel Locke).

As Orquídeas da REGUA

O projeto “Levantamento e Distribuição das Orquídeas da Reserva Ecológica de Guapiaçú” foi desenvolvido pela OrquidaRio Orquidófilos Associados, entre novembro de 2006 e setembro de 2007. Ao longo das trilhas registramos e mapeamos 107 espécies de orquídeas, distribuídas em 51 gêneros.  Destas, 44 espécies são ocorrências novas para o Munic. de Cachoeiras de Macacu. Muitas das espécies que ocorrem na REGUA podem ser encontradas em outras áreas preservadas da Serra dos Órgãos, sendo que algumas delas tem uma distribuição mais ampla.

Rosário plantando orquídeas nas Caxetas dos alagados ( © Nicholas Locke)

Os objetivos desta pesquisa foram:

  • conhecer e mapear as orquídeas que ocorrem na REGUA;
  • fornecer informações para que as orquídeas possam ser usadas como material adicional para o programa local de educação ambiental;
  • divulgar a flora de orquídeas da área para que sejam incluídas e apreciadas como parte das atrações ecoturísticas da REGUA.

Posteriormente a lista de orquídeas que ocorrem na REGUA cresceu muito, com a adição de várias micro-orquídeas identificadas por Helmut Seehawer, grande conhecedor da nossa flora.

Algumas das espécies encontradas durante o trabalho foram reproduzidas no laboratório do Orquidário Quinta do Lago, em Itaipava e, após alguns anos, algumas foram reintroduzidas na reserva por sócios da OrquidaRio.  Agora, com a construção da estufa, muitas das espécies que ocorrem nas matas da REGUA farão parte desta coleção que pretende mostrar aos visitantes os encantos e variedades da grande família Orchidaceae.

Maria do Rosário de Almeida Braga.

OrquidaRio Orquidófilos Associados.