Category Archives: Biodiversidade

Desafio da Natureza Urbana 2021: Baía de Guanabara, RJ, Brasil.

Micaela, Eric e Nicholas se preparando para o Bioblitz (© Thomas Locke).

Participamos do Desafio da Natureza Urbana 2021: Baía de Guanabara, RJ, Brasil, que durou do dia 29 de abril até o dia 03 de maio. Contamos com a visita do Eric Fisher, que teve um importante protagonismo neste desafio.

O objetivo desta Bioblitz foi registrar a maior quantidade de organismos (animais, plantas, fungos e musgos) possível, além de estarmos fazendo parte de uma DISPUTA mundial, entre mais de 400 cidades e regiões de 40 países dos 5 continentes, em que poderemos mostrar a grande diversidade biológica existente nos ambientes aquáticos (manguezais, lagoas e mar), nas planícies e montanhas (mata atlântica e restinga) e nas áreas urbanas (residências, jardins, ruas, praças, praias, parques e jardins) da região em que estamos inseridos.

Eric e Nicholas em busca de insetos (© Micaela Locke).

Foram feitas cerca de 2.1400 observações, com a participação de 88 entusiastas da Natureza e identificação de 880 espécies até o momento! Não pudemos abrir este evento ao público devido à pandemia, mas não queríamos deixá-lo passar em branco tampouco. Já contamos com ótimas observações e estamos entusiasmados em continuar praticando a ciência cidadã, através do Inaturalist.

 

Link do projeto: https://www.inaturalist.org/projects/desafio-da-natureza-urbana-2021-baia-de-guanabara-rj-brasil

As Borboletas Malaquita

Siproeta stelenes meridionalis (Fruhstorfer, 1909)

Siproeta stelenes  (© David Geale).

Por alguma razão, o verde não é uma cor comum ou popular entre as borboletas neotropicais. Ao contrário de outras regiões tropicais do Velho Mundo, ocorrem apenas uma dúzia  de borboletas esverdeadas nos trópicos americanos (alguns licenídeos dos gêneros Cyanophrys, Evenus, Arcas, Erora, alguns papilionídeos e Nessaea).  entre elas o exemplo mais chamativo é a enorme borboleta verde malaquita, com linhas marrom e grandes asas quadradas de margens denteadas. Esta borboleta é uma imitação dos heliconídios (borboletas de asa longa) Philaethria wernickei e P. dido, das quais virtualmnte se distingue apenas pelo maior tamanho, asas menos alongadas e a margem  externa da asa posterior fortemente serrilhada com 3 pequenas indentações.

Philaethria wernickei  (© Antonio Lopes).

É uma espécie comum encontrada em uma vasta área das Américas do sul do Texas, Flórida e das Índias Ocidentais até a Bolívia, Argentina, Paraguai e sul do Brasil. Os adultos são espécies típicas de floresta aberta, encontradas desde o nível do mar até 1.500 metros em habitat florestal úmido ou sazonalmente perturbado, como clareiras, margens de rios, estradas, bordas, vegetação secundária e até pomares ou jardins onde muitas espécies herbáceas de Acanthaceae prosperam (Blechum , Justicia, Ruellia). Os adultos são atraídos por flores e frutas podres, eles costumam repousar e se ensolarar na folhagem mais baixa em trilhas, estradas ou jardins, e as fêmeas patrulham pequenos trechos desse habitat em busca de suas plantas hospedeiras para colocar os ovos de onde eclodem as lagartas da próxima geração. Estas são preto-oliva com tubérculos rosados ​​e brancos, lembrando muito as lagartas tóxicas de Parides e Battus (Papilionídeos). As pupas são verde-limão claras com alguns espinhos curtos.

Miltonia moreliana

Miltonia moreliana em flor no Jardim de Orquídeas da REGUA (© Micaela Locke).

A Miltonia moreliana é uma linda orquídea  que está em flor no nosso Jardim da Mata Atlântica. Ela pode ser encontrada  em áreas de mata secundária, a partir de 300 metros de altitude. O gênero Miltonia, presente na América do Sul, possui nove espécies no Brasil, sendo que sete delas são encontradas na Serra dos Órgãos. A Miltonia  moreliana requer abundante luminosidade, teor de umidade moderado e ventilação.

Quando não é possível identificar uma espécie de alguma orquídea nativa de imediato, recorremos ao auxílio de especialistas, como a Maria do Rosário de Almeida Braga, ou também consultamos a fantástica publição “Serra dos Órgãos: Sua História e Suas Orquídeas” que tem como autores  David MillerRichard WarrenIzabel Moura Miller (também fotógrafa) e Helmut Seehawer (colaborador). 

A Dahlstedtia

Em uma caminhada por uma das áreas da REGUA, foram vistas as plantas do gênero Dahlstedtia que ocorrem exclusivamente no bioma Mata Atlântica, nos estados de Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O gênero é constituído por duas espécies: D. pinnata e D. pentaphylla, embora muitos autores as considerem monotípicas. Apresentam porte arbóreo-arbustivo, inflorescências grandes, tubulosas e vistosas.

Conhecida como “Timbo”, suas flores são muito visitadas por beija-flores, que as polinizam. Sua casca e raíz esmagadas têm a capacidade de atordoar e asfixiar os peixes, prática utilizada no passado pelos povos autóctones da região, ao pescar.

Dahlstedtia em flor (© Raquel Locke).

Conheça o projeto de reintrodução da Anta (Tapirus terrestris) na REGUA

A reintrodução de antas (Tapirus terrestris) na Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), uma especie localmente extinta no Estado do Rio de Janeiro há muitos anos, teve início em 2017 com a chegada de três animais. Essa reintrodução faz parte do plantel de projetos promovidos e levados a cabo pelo REFAUNA e neste caso está sendo coordenado também pelo Laboratório de Ecologia e Manejo de Animais Silvestres do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (LEMAS-IFRJ). Junto com a reintrodução desses animais, estão sendo conduzidas pesquisas acerca de sua capacidade de dispersão de sementes, ecologia espacial e outras interações ecológicas. Atualmente temos oito antas vivendo nas florestas da REGUA, sendo que uma nasceu em vida livre. Os animais estão adaptados e os moradores do entorno da REGUA apoiam a reintrodução. Planejamos transportar mais antas para a REGUA em breve, com o objetivo de estabelecer uma população viável, que com o tempo disperse para o Parque Estadual dos Três Picos e outras áreas florestadas adjacentes, colonizando a região mais densamente florestadas do estado, o Mosaico da Mata Atlântica Central Fluminense.

Antas nos alagados da REGUA, na vizinhancça do Centro de Visitantes (©REFAUNA)

 

As Orquídeas da REGUA

O projeto “Levantamento e Distribuição das Orquídeas da Reserva Ecológica de Guapiaçú” foi desenvolvido pela OrquidaRio Orquidófilos Associados, entre novembro de 2006 e setembro de 2007. Ao longo das trilhas registramos e mapeamos 107 espécies de orquídeas, distribuídas em 51 gêneros.  Destas, 44 espécies são ocorrências novas para o Munic. de Cachoeiras de Macacu. Muitas das espécies que ocorrem na REGUA podem ser encontradas em outras áreas preservadas da Serra dos Órgãos, sendo que algumas delas tem uma distribuição mais ampla.

Rosário plantando orquídeas nas Caxetas dos alagados ( © Nicholas Locke)

Os objetivos desta pesquisa foram:

  • conhecer e mapear as orquídeas que ocorrem na REGUA;
  • fornecer informações para que as orquídeas possam ser usadas como material adicional para o programa local de educação ambiental;
  • divulgar a flora de orquídeas da área para que sejam incluídas e apreciadas como parte das atrações ecoturísticas da REGUA.

Posteriormente a lista de orquídeas que ocorrem na REGUA cresceu muito, com a adição de várias micro-orquídeas identificadas por Helmut Seehawer, grande conhecedor da nossa flora.

Algumas das espécies encontradas durante o trabalho foram reproduzidas no laboratório do Orquidário Quinta do Lago, em Itaipava e, após alguns anos, algumas foram reintroduzidas na reserva por sócios da OrquidaRio.  Agora, com a construção da estufa, muitas das espécies que ocorrem nas matas da REGUA farão parte desta coleção que pretende mostrar aos visitantes os encantos e variedades da grande família Orchidaceae.

Maria do Rosário de Almeida Braga.

OrquidaRio Orquidófilos Associados.

80 espécies da família dos Esfingídeos já foram catalogadas na REGUA

<em>Aellopos ceculus</em>, fotografada na pousada no dia 15 de março de 2020 (© Alan Martin)
Aellopos ceculus, fotografada na pousada no dia 15 de março de 2020 (© Alan Martin)

Já foram registradas 110 espécies de mariposas na Serra dos Órgãos e apenas mais 4 no estado do Rio de Janeiro.

A visita recente feita por Alan Martin em março de 2020, contribuiu para o registro do octogésimo Esfingídeo na área da REGUA. Trata-se da espécie Aellopos ceculus, com hábitos diurnos, parecida com a espécie europeia Macroglossum stellatarum. Ela foi encontrada colocando ovos a alguns metros da pousada.

Outras 14 espécies foram encontradas e fotografadas em áreas de altitude perto da REGUA, e por este motivo, é muito importante que novas expedições a essas áreas mais elevadas sejam feitas, a fim de que mais espécies sejam adicionadas à lista de mariposas da REGUA.

Novo livro da REGUA pronto para ser publicado: Guia de observação das Borboletas da Serra dos Órgãos

Capa do quarto livro da REGUA <em>Guia das Borboletas da Serra dos Órgãos</em>
Capa do quarto livro da REGUA Guia das Borboletas da Serra dos Órgãos

Em 2015, Alan Martin e Jorge Bizarro começaram a trabalhar em um guia de observação de borboletas para dar continuidade às demais publicações específicas da área da REGUA (mariposas, libélulas e pássaros). O que começou como um projeto de três anos acabou levando cinco anos, em parte porque o número de espécies registradas na área é maior do que foi previsto e também porque foi muito difícil obter fotos de algumas espécies mais raras.

O livro está prestes a ser impresso e abrange 803 espécies (exceto a subfamília Hesperiinae, em inglês conhecidas como “Grass skippers”) com descrições, comparações com espécies semelhantes, distribuição global e informações sobre ecologia, comportamento e plantas hospedeiras. Todas, exceto três das espécies, são ilustradas com mais de 1.300 fotos de espécimes vivos. As demais foram fotografadas a partir de exemplares de museus e de coleções particulares. Há também textos introdutórios para cada família, subfamília e tribo.

O livro será distribuído pela NHBS, porém no Reino Unido é aconselhável encomendar o livro ao Alan Martin a um preço reduzido de £30,00 mais £5,00 da postagem. Todos os lucros da venda do livro serão revertidos para a REGUA.

Ecdise

(© Rodrigo Fonseca)
(© Rodrigo Fonseca)
(© Rodrigo Fonseca)
(© Rodrigo Fonseca)

A caninana Spilotes pullatus, uma espécie semi-arborícola, que se alimenta de pequenos roedores, anfíbios, lagartos e até outras serpentes é facilmente encontrada em florestas, em áreas mais abertas como pastos e trilhas, e inclusive, pode se aproximar de habitações humanas em busca de alimento. Apesar de ser uma espécie de grande porte, podendo alcançar até 3 metros, é muito ágil e não peçonhenta, com coloração amarela e preta.

Recentemente, foi encontrada a pele deixada após a muda, também chamada de ecdise, de uma caninana, que em indivíduos adultos, ocorre em média, uma vez por ano. Esse processo é realizado quando a camada mais superficial da pele, que é formada por queratina, é trocada por uma nova. Essa troca pode ocorrer durante seu crescimento ou quando a camada mais externa é danificada. A ecdise dura em torno de 5 a 7 dias e durante esse período a serpente fica mais vulnerável aos predadores pois sua visão fica prejudicada devido ao acúmulo de fluidos entre a pele nova e antiga.

Descobrindo as Efeméridas da REGUA

Isso mesmo ! – Estes insetos (INSECTA: Ephemeroptera) pouco conhecidos do grande público são essencialmente aquáticos, pois sua vida decorre majoritariamente na fase de ninfa aquática, sendo os adultos de vida muito curta, característica essa que lhes conferiu o nome pelo qual são popularmente conhecidos: efeméridas.

Buscando as ninfas em um rio local …

 Esta ordem é parte de um antigo grupo de insetos chamado de Palaeoptera, que também inclui as libélulas. Estão presentes no mundo todo – exceto na Antártida – e possuem uma diversidade de cerca de 3000 espécies, distribuídas em mais de 400 gêneros e 42 famílias.  As ninfas da ordem Ephemeroptera são componentes importantes da comunidade da maioria dos ecossistemas de água doce, podendo ser encontradas em grande variedade de hábitats onde sao importantes componentes biológicos, não somente por sua abundância, mas também pelo papel que cumprem na cadeia trófica dos ecossistemas aquáticos. São fundamentais para a ciclagem de nutrientes e constituem fonte de alimento para peixes, aves e invertebrados. Em alguns riachos elas podem representar a maior biomassa de todos os grupos presentes na comunidade. Além disso, podem ser utilizados como indicadores das perturbações antropogênicas que afetam os ambientes aquáticos, sendo estes insetos um dos principais indicadores de qualidade da água. O adulto vive menos de 24 horas e seu único objetivo é encontrar parceiros ou parceiras antes de morrer. Os adultos de muitas espécies de efeméridas nem sequer têm peças bucais e o sistema digestivo, ao invés de processar e digerir alimento, é preenchido por ar e auxiliam os alados a voar.

Armadilha luminosa para captura de adultos

  Em função da intolerância de muitas espécies de efêmeras a perturbações ambientais antropogênicas, estudos têm sido realizados para comprovar o papel destes insetos como um dos principais indicadores de qualidade da água. No entanto, a carência de estudos faunísticos e biológicos têm dificultado que trabalhos de biomonitoramento sejam realizados com sucesso. Considerando esses aspectos, torna-se clara a necessidade de se valorizar e ampliar pesquisas relacionadas ao conhecimento dos Ephemeroptera do Brasil, principalmente naqueles ecossistemas ameaçados como os de Mata Atlântica.

Com estes objetivos em mente, os pesquisadores Dr. Frederico Salles (Universidade Federal de Viçosa – MG) e César Francischetti (Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro-RJ) propuseram a realização do presente projeto visando complementar estudos anteriores desenvolvidos sobre a fauna de macroinvertebrados aquáticos na REGUA.

Como resultado espera-se a realização de descrições e redescrições de espécies, quando pertinente, a ampliação dos registros de ocorrência e a melhoria do conhecimento sobre os aspectos biológicos das espécies encontradas. Os OBJETIVOS visados são:

  1. Estudar a fauna de Ephemeroptera da Reserva Ecológica de Guapiaçu, Cachoeiras de Macacu, RJ;
  2. aportar informações inéditas sobre a biologia das espécies de Ephemeroptera presentes na região visada;
  3. conhecer a distribuição espacial das espécies por meso-hábitats;
  4. prover novos registros de táxons, gêneros e/ou espécies, estendendo o conhecimento a respeito de suas distribuições
  5. produzir uma lista detalhada da fauna com as informações geradas.

O material obtido sob Licença Permanente do SISBIO n. 12777-1 de 11/09/2007 será depositado na coleção de Ephemeroptera do Museu Regional de Entomologia da UFV, MG.

Para mais informações sobre Ephemeroptera do Brasil consulte:

http://ephemeroptera.com.br

http://insetosaquaticos.com.br