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Plantio de mudas no dia Internacional da Mulher

Liliane Prohmann com as mãos na massa (© Aline Damasceno).

Na semana passada, iniciamos o plantio em uma área de um hectare no Sítio Recanto Feliz, propriedade da família Prohmann, onde também se encontra a sede da empresa ActionShop Serviços Ambientais (tratamento de efluentes).

Mary Prohmann muito feliz ao plantar uma árvore e ser homenageada no dia Internacional da Mulher (© Aline Damasceno).

Contamos com a presença do casal Arthur e Mary e sua filha Liliane, que colocaram a mão na massa promovendo o plantio de espécies significativas e simbólicas da Mata Atlântica como Jequitibás, Ipês e Quaresmeiras (familias Lecythidaceae, Bignoniaceae e Melastomataceae respectivamente).

Além da ação consciente e de grande preocupação com as gerações futuras, Arthur Prohmann presenteou a equipe da REGUA ao recitar um poema de sua autoria, homenageando o dia internacional das mulheres e o meio ambiente.

A atividade de restauração florestal realizada no Sítio Recanto Feliz está sendo possível por meio de uma parceria entre a REGUA e a WWF-Brasil.

O jovem chefe da equipe de campo Bruno Nunes (© Aline Damasceno).

O chupim-azeviche

Chupim-azeviche e Graúna voando lado-a-lado (©Daniel Mello).

O chupim-azeviche (Molothrus rufoaxillaris) da família Icteridae, é, dentre os parasitas de ninhadas, a espécie mais especializada.

O Chupim-azeviche é considerada uma espécie oportunista (©Daniel Mello).

Daniel Mello, guia de observação de aves e parceiro da nossa instituição, fez o primeiro registro desta espécie na REGUA, numa área aberta próxima à sede. Um indivíduo jovem (de plumagem marrom avermelhada) foi observado acompanhando um bando de graúnas (Gnorimopsar chopi). O chupim-azeviche parasita os ninhos de diversas espécies de aves dentre as quais, as graúnas, para que as mesmas possam criá-los. Insetos, sementes e ocasionalmente frutos formam parte de sua dieta alimentar. Ocorre em boa parte do leste do Brasil, desde o Rio Grande do Sul até o Piauí.

Uma segunda chance ao Macacu!

O monitoramento é parte essencial da reintrodução. As fotos das armadilhas fotográficas mostraram que a anta Macacu, reintroduzida em outubro passado, estava muito machucada, com marcas de briga com outras antas. Decidimos colocar o Macacu novamente em um cercado de aclimatação para tratamento, onde passou um mês para tratar bicheiras, cicatrizar as feridas e ganhar peso, com orientação do veterinário Jeferson Pires e cuidado da equipe e do tratador Sidnei.

Macacu se recuperou bem, teve alta e voltou para as matas da REGUA 😊 Continuará sendo monitorado de perto para termos certeza que vai ficar tudo bem com ele.

Veja o vídeo do Macacu saindo do cercado de aclimatação!

A reintrodução das antas no estado do Rio de Janeiro é uma iniciativa do Refauna, com coordenação técnica do Laboratório de Ecologia e Manejo de Animais Silvestres (LEMAS/IFRJ) e Joana Macedo, em parceria com REGUA e o Projeto Guapiaçu, que conta com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e Asa Socioambiental, que conta com patrocínio da Eletrobras Furnas.

Resgate de uma preguiça na estrada!

Encontramos esta linda preguiça-comum ou preguiça-de-garganta-marrom (Bradypus variegatus) na beira da estrada! Ela estava tentando alcançar um galho e não resistimos em ajudá-la. É interessante notar a quantidade de insetos sobre o seu pelo. As preguiças podem ser hospedeiras de uma grande variedade de artrópodes, que incluem mordedores e sugadores sanguíneos voadores tais como mosquitos e moscas de areia, insetos triatomíneos, piolhos, carrapatos e pulgas. É triste pensar que um dos problemas mais comuns que afeta estes animais são os atropelamentos, morte por queda durante a travessia entre fragmentos florestais e acidentes com fios de alta tensão.  

Oficina SISS-Geo Zoonoses Urbanas / Fiocruz

Durante os dias 18, 19 e 20 de agosto, na RPPN Regua –  Reserva Ecológica de Guapiaçu, a equipe do SISS-Geo Fiocruz em conjunto com a equipe técnica da Coordenação Geral de Zoonoses, da Coordenação Geral de Arboviroses e de Sistemas do Ministério da Saúde, trabalharam unindo esforços para a integração das zoonoses silvestres e urbanas no SISS-Geo.

A escolha da RPPN REGUA como local da oficina ocorreu pelo alinhamento das equipes envolvidas nos esforços de aproximar instituições governamentais e ONGs aos objetivos para a concretização de inciativas para a Saúde Única, além da logística e do ambiente confortável e seguro para a realização de oficinas de trabalho.

A OFICINA SISS-Geo Zoonoses Urbanas foi um encontro híbrido com participações presenciais na Lodge REGUA, em Cachoeira de Macacu, no Rio de Janeiro e on-line. A atividade é parte estratégica do Projeto piloto para a estruturação e ampliação do Sistema de informação em Saúde Silvestre (SISS-Geo) aos hospedeiros de zoonoses urbanas.

Mais informações em: http://www.biodiversidade.ciss.fiocruz.br

Participantes da oficina SISS-Geo realizada pela Fiocruz (© Luiz Gomes e Marcelo Galheigo).

II Encontro Científico da REGUA

O II Encontro Científico da REGUA foi apresentado de maneira virtual dos dias 21 a 23 de julho de 2021. Os assuntos foram divididos em Fauna, Flora, Monitoramento e Planejamento Ambiental, Restauração Ecológica e Saúde e Meio Ambiente.

Jorge Bizarro, da coordenação de pesquisas da REGUA abrindo o II Encontro Científico (©REGUA).

Foram convidados a participar os pesquisadores que estão realizando seus trabalhos aqui na REGUA, assim como pesquisadores que já terminaram suas pesquisas, além de pesquisadores e palestrantes relacionados aos órgãos ambientais e membros de outros projetos apoiados pelo programa Petrobrás Socioambiental, que fazem parte da REDAGUA – Rede de Conservação pelas Águas da Guanabara.

O evento foi um desafio para todos, especialmente porque tudo foi feito de maneira remota e transmitido ao vivo pelo canal do Youtube do Projeto Guapiaçu. Mesmo assim, tivemos muita interação através do chat (caixa de diálogo no canal Youtube) durante as apresentações. Além dos palestrantes do dia, 35 vídeos de demais pesquisadores foram disponibilizados neste canal (https://www.youtube.com/c/ProjetoGuapia%C3%A7u/playlists).

Tivemos a contribuição de muitos trabalhos interessantes! Um deles diz respeito ao estudo de alternância do estado dos nossos wetlands, que têm apresentado águas mais turbas devido à presença de algas do tipo Euglena sanguinia, que podem produzir um tipo de toxina prejudicial aos peixes.

Egeria densa, um tipo de alga presente nos alagados da REGUA, que pode ser tóxica para os peixes (© Micaela Locke).

Essa alga também impacta o desenvolvimento de uma macrófita submersa, a Egeria densa que tem um papel importante no equilíbrio dos ambientes aquáticos, pois além de produzir oxigênio – que é liberado na água, serve de alimento para muitas espécies de peixes, aves e mamíferos. Além disso, funciona como abrigo para microrganismos planctônicos – micro-crustáceos e alguns tipos de moluscos. Um outro trabalho bacana nos mostra a constância ao longo de 10 anos de pesquisa sobre as diversidade de quirópteros (morcegos) presentes na REGUA.

No bioma Mata Atlântica existem 78 espécies de morcegos e na REGUA já se somam 43 espécies.

A espécie de morcegos Carollia perspicillata, a mais abundante na REGUA . C. perspicillata se alimenta de uma grande variedade de frutos, assim como néctar e pólen, e também insetos. (©Priscila Stefani)

Em geral, os morcegos contam com uma eco localização bastante apurada, que os fazem perceber as redes de neblina com muita facilidade. Já os morcegos insetívoros, contam com uma sensibilidade ainda maior, tornando-os mais difíceis de serem capturados, e por isso, os esforços de inventário devem continuar. Outra iniciativa interessante é o Biocenas – Núcleo de Fotografia Científica Ambiental –, que vem coletando imagens dinâmicas e estáticas na REGUA desde 2010, com o objetivo de utilizar a percepção visual como forma de aproximar o homem com o meio que o cerca. O acervo conta com 4.500 imagens e este material tem sido identificado e disponibilizado para fins de educação e pesquisa, além da compreensão da biodiversidade local. Recentemente foi publicado o Guia de Campo da Biodiversidade da Fauna na Reserva Ecológica de Guapiaçu.

Temos outras diversas contribuições que serão apresentadas regularmente através das nossas mídias sociais, que confirmam a importância da REGUA em estar incentivando a pesquisa na região.

Agradecemos à Equipe do Projeto Guapiaçu por ter organizado este incrível Encontro Científico e espero que todos tenham aproveitado este pequeno espaço de conhecimento.

Tem bebê novo de anta na área!

Em 2020 as antas Eva e Valente nos deram Curumim, o primeiro filhote de anta nascido no estado do Rio em 100 anos.

Segundo filhote de anta nascido em liberdade na REGUA (© Marcelo Rheingantz/Projeto Refauna).

Esse ano, que alegria, Flora e Júpiter nos deram mais um bebê anta! Com essa segunda antinha, nossa população está crescendo. Isso nos enche de orgulho e confiança num futuro onde as florestas da Mata Atlântica voltarão a ter antas em abundância.

Flora e Júpiter foram soltos em 2018, vindos do Parque Ecológico da Klabin, e desde então nunca estão muito longe um do outro (apesar de andarem sós, como é normal para antas).

No vídeo de armadilha fotográfica vocês veem mamãe Flora e o filhote, que deve ter por volta de 6 meses. Ainda não sabemos seu sexo, e ele provavelmente nasceu em janeiro, como o Curumin ano passado.

Sabemos disso graças ao monitoramento que fazemos junto com o @projetoguapiacu, nosso super parceiro na empreitada de reintroduzir as antas aqui na REGUA.

Esperamos que a notícia dessa nova vida aqueça o coração de vocês!

As árvores da Mata Atlântica: a Braúna (Melanoxylon brauna)

A Braúna em uma das áreas reflorestadas pela REGUA (©Raquel Locke)

A braúna é uma espécie arbórea endêmica da Mata Atlântica, pertencente à família Leguminosae, encontrada no sul do estado da Bahia, Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Seu estado de conservação na categoria “Vulnerável” pela IUCN remete ao uso intensivo da sua madeira compacta e pesada na indústria civil assim como na confecção de instrumentos musicais, cabos de ferramenta, postes e mourões. A braúna é uma espécie semi-decídua, heliófita, encontrada em florestas tanto primárias como em florestas secundárias tardias. Sua dispersão se dá pela ação do vento (anemocórica).  Este exemplar se encontra na área do “Francês”, que são nossos vizinhos e parceiros.

Braúna em flor (©Raquel Locke)

 

O Tapiti (Sylvilagatus brasilienses)

Encontrado em todos os biomas brasileiros, com exceção de uma parte da Amazônia, este simpático mamífero tem hábitos noturnos e solitários, pois como é alimento para diversas espécies, como onças-pardas, jaguatiricas, algumas serpentes, entre outros animais, possui o hábito de viver em silêncio e com muita discrição.

São animais herbívoros e sua dieta consiste na alimentação de frutos, brotos e talos de vegetais. Estes coelhos fazem o ninho com folhas ou capim seco, forrando o interior com seus próprios pelos para criar seus filhotes e costumam dar à luz entre um e seis filhotes.
Alguém já pensou que o coelho é um roedor? Pensamos que essa pode ser uma confusão normal, porém para a ciência, o que mais difere os coelhos dos roedores é a dentição: eles possuem quatro dentes incisivos (dois superiores e dois inferiores), já os roedores têm apenas dois. Além dos coelhos possuírem lindas orelhas compridas!

O Tapiti flagrado por uma armadilha fotográfica (©Projeto Refauna)