Pesquisa na REGUA

Introdução

Se quisermos garantir a proteção a longo prazo do acervo de Biodiversidade (flora e fauna) albergado pela Mata Atlântica, não resta opção senão a de realizar um vasto trabalho de reconhecimento das espécies presentes, suas interações e os fatores que determinam ou afetam sua sobrevivência, como um todo.

Por esse motivo, desde o início, os contatos e parcerias com o meio Acadêmico Brasileiro têm sido uma prioridade para a Reserva Ecológica de Guapiaçu. A REGUA privilegia e promove especialmente a vinda de pesquisadores brasileiros para realizarem pesquisas, aulas de campo, minicursos, workshops e outros tipos de atividades nas suas áreas e instalações; fornecendo para tal um apoio logístico e instalações adequadas.

Contexto histórico

O Rio de Janeiro, após se tornar a Capital e centro do Império Português com a vinda da Família Real Portuguesa no séc. XIX, se constituiu historicamente no principal polo de interesse, de acesso e pesquisa de bastantes Naturalistas e Etnologistas europeus, tanto dos que arribaram por conta própria ou com comendas dos respectivos governos, como dos que vieram contratados pelas autoridades no Brasil. Além do mais, O Rio era a porta de entrada e saída no continente de pesquisadores, pintores, viajantes e do abundante material biológico hoje depositado em acervos de museus das principais capitais europeias. Mesmo aqueles naturalistas que vinham ao Brasil com os olhos postos na sua continentalidade, não deixavam de visitar as matas ao redor do Rio e despachar todo seu material pelo movimentado porto da Baía da Guanabara; por assim dizer, o Rio de Janeiro era a ‘cara’ ou ‘cartão de apresentação’ da fauna e flora Brasileiras à curiosidade destes viajantes. São estes os motivos pelos quais o que hoje é o estado do Rio de Janeiro se constituiu numa situação privilegiada no que tange ás Ciências Naturais. No séquito da futura Imperatriz Leopoldina, viajaram ao Brasil Von Martius e Spix, que passaram uma década explorando o Brasil. Segundo a obra “Brasiliana da Biblioteca Nacional”, página 69, “os botânicos que vieram ao Brasil tiveram sempre como parte importante de sua missão a coleta de informações e o envio de sementes de plantas medicinais ou úteis ao homem, como é o caso da viagem de Karl Friedrich von Martius. Darwin deixou escritos alguns dos seus pensamentos ao avistar pela primeira vez as florestas do Brasil, primeiro na Bahia e depois no Rio de Janeiro, onde escreveu o seguinte:

“Após atravessar algumas terras cultivadas, entrámos em uma floresta, cuja magnificência de todas as suas componentes não poderia ser excedida.”

“Era impossível desejar algo mais prazenteiro para fazer nestas paragens, do que gastar algumas semanas num pais tão magnifico. Na Inglaterra, qualquer entusiasta pela história natural, curte nos seus passeios uma grande vantagem; por sempre ter algo que atrai sua atenção aqui ou acolá; mas nestes climas férteis, borbulhando de vida, as atrações são tão numerosas e constantes que dificilmente se é capaz de andar realmente.”

No entanto, apesar dos séculos e destes antecedentes, a realidade é que se está longe de ter um inventario ou mapeamento completo da Flora e Fauna do Estado e, muito menos da Mata Atlântica em geral, com a agravante de que hoje a mesma se reduziu a uns meros 7% da área original, constituidos essencialmente de fragmentos empobrecidos. Quanta informaçao já se perdeu irremediavelmente?

Prioridades de pesquisa

A REGUA estabeleceu um conjunto de prioridades no que tange aos projetos de pesquisa levados a cabo dentro da sua área de abrangência, a saber:

  • Pesquisa Básica: essencialmente inventários dos principais grupos de animais e Botânico.
  • Pesquisa Aplicada: visando o manejo dos reflorestamentos e remanescentes num contexto de paisagem fragmentada, especialmente o efeito de borda, a sucessão ecológica (a longo prazo), a dinâmica da fragmentação sobre as populações de animais e dos reflorestamentos.
  • Monitoramento: ainda incipiente, mas cujo interesse por parte da REGUA e das autoridades ambientais (como INEA e ICMBio) é hoje manifesto, em parte pela ocorrência na Região do Mosaico Central Fluminense de muitas espécies nas listas oficias de ameaçadas ou vulneráveis segundo os critérios da IUCN. Uma parte importante desta modalidade seriam os projetos de Refaunamento.

À primeira vista, a criação de um inventário da biota da REGUA apresenta-se como algo relativamente exequível, mas o grau de dificuldade do terreno e a inacessibilidade de parte significativa do mesmo; aliada ao caráter eminentemente furtivo de algumas espécies, facilmente transformam tal inventário numa tarefa hercúlea, até para grupos mais fáceis de monitorar e bem conhecidos, como é o caso das aves. Esta situação não é inédita no Estado do Rio de Janeiro que, apesar de considerado um dos historicamente mais bio-prospectados do Brasil, mesmo assim alberga lacunas importantes. Por outro lado, a riqueza de espécies dos ecossistemas tropicais é contrabalançada por uma característica que dificulta os inventários completos, a relativa escassez de indivíduos de cada espécie, pelo que o fechamento deste tipo de pesquisa se estende habitualmente por vários anos.

No caso das Aves, após quinze anos de visitas regulares por parte de observadores de aves e ornitólogos com experiência, atingiu-se um total de 460 espécies, sendo que novas espécies estão continuamente sendo registradas. Ao passo que muitos visitantes podem contribuir com registros importantes de aves e mamíferos; o trabalho de buscar e identificar morcegos, anfíbios, répteis, insetos e plantas são tarefa quase exclusiva de profissionais e estudantes universitários, que por sua vez estão descobrindo gradualmente os benefícios e benfeitorias de trabalhar na REGUA.

Como a demanda de pesquisadores relativamente à Reserva não parou de aumentar, a REGUA contratou em 2010 um Coordenador de Pesquisa para supervisionar e melhorar a qualidade desse serviço prestado pela Reserva à Sociedade Fluminense.

Como realizar uma pesquisa na REGUA?

Atualmente, existe um Convenio/Protocolo de Pesquisa que pode ser baixado aqui. Todo o pesquisador/professor que queira submeter uma pesquisa ou atividade na REGUA pode preencher o protocolo e enviar ao email do coordenador: bizlep@unseen.is; ou alternativamente um resumo da pesquisa (como os enviados aos órgãos de fomento), juntamente com o numero das licenças ambientais pertinentes, caso sejam necessárias. Para as pesquisas realizdas na parte da REGUA que está cadastrada como RPPN (a área dos Alagados), é necessario enviar ao INEA uma Autorização de Pesquisa por parte da REGUA, que pode ser obtida mediante o mesmo email: bizlep@unseen.is.

Para esclarecimentos sobre locais de pesquisas na REGUA, modalidades de alojamento e preços, favor entrar em contato com o Coordenador de Pesquisa, ou com a REGUA (aregua@terra.com.br).

Encontra-se ainda disponibilizada uma agenda Google (Pesquisa_REGUA) para reserva das instalações da REGUA com vistas as trabalho de campo de pesquisa. O seu link público é este:

https://calendar.google.com/calendar/embed?src=sdk0c1a6mv0r2bhbif1fj72sm0@group.calendar.google.com&ctz=America/Sao_Paulo

Finalmente, para os pesquisadores interessados em projetos de extensão, a REGUA oferece a oportunidade de divulgação dos seus projetos e apresentação/retiorno dos resultados junto às comunidades locais mediante:

  • Colaboração de atividades e palestras com o programa Jovnes Guardas e Visitas de Escolas.
  • Apresentação dos projetos nas reuniões trimestrais do Conselho Consultivo do Parque Estadual dos Três Picos.

Instalações básicas e logística

A REGUA, por seu lado, pode disponibilizar um ambiente seguro, com habitats de excelente qualidade nos quais realizar as pesquisas, além de acomodação digna quando requerida e logística de suporte adequada por parte dos seus funcionários. Em troca, a REGUA pede os resultados dos trabalhos de pesquisa, os quais permitem a melhoria substancial do nosso conhecimento sobre o ambiente e biodiversidade que desejamos proteger e preservar, fornecendo também dados preciosos para os nossos planos de manejo, tanto para espécies singulares, como para os diversos habitats como um todo. Além disso, os dados das pesquisas proporcionam um retorno à própria comunidade local, podendo ser disponibilizados para gestores e órgãos públicos.

Assim, a REGUA disponibiliza aos pesquisadores com projeto aprovado várias modalidades de alojamento, refeições, etc., Para mais detalhes favor consultar a guia, Alojamento.

Além disso a REGUA disponibiliza ainda:

  • Sala com acesso a WiFi e Internet (via sinal de rádio – wireless).
  • Um computador e laptop com Windows e Office.
  • Datashow e sala de aula com ar condicionado.

Além disso, dispõe-se de um Laboratório, ao lado da Administração, equipado ainda exiguamente com:

  • Uma mesa em “U” com tomadas de 110V (uma única de 220V), 30 cadeiras.
  • Bancada com três lavatórios.
  • Um freezer alto e.
  • Uma geladeira de cerca de 250 litros.
  • Acetato de etila, álcool, naftalina.
  • Armários para guardar material.
  • Lanterna-flash e GPS Garmin E-trex Legend.
  • Carreador de baterias Ni-MH & Ni-Cd.
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(© Lee Dingain)
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(© REGUA)