I Curso Internacional de Determinantes Ecológicos da Dinâmica das Doenças Transmitidas por Vectores

Em resultado de uma parceria com cerca de 10 anos entre a REGUA e o FIOCRUZ, vai ser realizado pela primeira vez em novembro de 2018 uma edição Internacional e com novo formato da tradicional Disciplina de Determinantes Ecológicos das Doenças Transmitidas por Vectores, do programa de pós-graduação em medicina Tropical do Fiocruz.

Contando com a colaboração e docentes de outras instituições nacionais e estrangeiras – UNIRIO, UERJ, Brasil; Florida Medical Entomology Laboratory, EUA; Universidade Cooperativa de Colômbia, Institut de Recherche et Developpement, França; Universidade Alfonso X El Sábio, Espanha – esta edição do curso será realizada na íntegra nas instalações da REGUA (tanto a parte teórica como prática) de 12 a 17 de novembro de 2018. Os convidados e participantes estrangeiros receberão as boas-vindas nas instalações da Fiocruz onde será feita a recepção e apresentação do curso; depois transportados à REGUA onde as demais atividades do programa terão lugar.

A REGUA apoia totalmente este tipo de parcerias e manifestamos nossa alegria ao ver coroados nossos esforços em prol da conservação da Biodiversidade da alta bacia do rio Guapiaçu, levados a cabo por uma iniciativa particular de conservação da Mata Atlântica do Brasil, na concretização e promoção deste tipo de cooperação internacional na área da Ciência e Educação!

Sejam todos muito BEM-VINDOS à REGUA!

 

Os 14 anos de reflorestamento na Reserva Ecológica de Guapiaçu (Regua)

Qual é a necessidade de reflorestar se a mata retorna sozinha? – Essa é uma percepção do público leigo e, também, a pergunta mais respondida na Regua desde 2004. A resposta não é simples.

De antemão, a Regua é uma organização não governamental (ONG) ambiental localizada em Cachoeiras de Macacu, RJ, com a missão de conservar a alta bacia do Rio Guapiaçu, uma bacia estrategicamente importante na produção hídrica para a área leste da Baía Guanabara. Cerca de três milhões de pessoas bebem a água proveniente da Bacia do Rio Guapiaçu, que possui aproximadamente 60% da mata nativa em diversos estágios de recuperação. Será que essa cobertura florestal é suficiente para garantir abastecimento hídrico eternamente?

A área dos alagados na REGUA, tal como se apresentava nos finais dos anos 90, com pastos e uma plantação de macadâmia (à esquerda, na foto; Acervo REGUA).

Quatro ações essenciais apoiam a missão institucional: a proteção das florestas através de um quadro de guarda-parques e da criação da RPPN; a inclusão social através de um amplo programa de educação ambiental e visitação; o apoio e o incentivo a pesquisas para compreender como as florestas funcionam; e, por último, um programa de reflorestamento que, além de contribuir para uma maior funcionalidade ecológica, gera emprego e renda. Ao longo de 14 anos, foram plantadas quase meio milhão de árvores nativas da Mata Atlântica em 300 ha de áreas degradadas, utilizadas em parte pelo INEA, para o desenvolvimento de critérios para o monitoramento de resultados a respeito da recuperação florestal.

Quanto à pergunta inicial, a resposta é: depende. A regeneração natural não é simples nem instantânea. Mesmo que o processo de reflorestamento seja natural, áreas muito degradadas simplesmente não voltam ao seu estado original, tanto em relação à beleza cênica quanto à biodiversidade. Fruto de muita pesquisa, o reflorestamento hoje permite uma recuperação florestal relativamente rápida, beneficiando a biodiversidade associada, gerando emprego local, definindo planejamento territorial e permitindo a plena continuidade dos serviços ambientais dos quais dependemos, como a produção de água em quantidade e qualidade. O reflorestamento é a revolução verde do século XXI, combatendo a crise ambiental global em larga escala. Então, qual é o segredo do sucesso? – A resposta, simples, é: responsabilidade, uma atitude básica fundamentada em conhecimento, dedicação e valoração da atividade. O conhecimento florestal vem de uma preocupação com a crise ecológica. Nossa própria sobrevivência neste planeta depende do equilíbrio entre os mundos bióticos e abióticos. Não é fácil compreender toda a dinâmica, mas evidentemente temos obrigação de recuperar áreas degradadas, observar como funciona a complexa ordem fitossocial das florestas, suas matrizes, e nos familiarizarmos com as peculiaridades na produção de mudas de qualidade para cada espécie, com vistas à recuperação de áreas em larga escala. A observação faz melhorar a técnica. A dedicação faz conhecer e organizar as técnicas, melhorando o planejamento.

A mesma área nos finais de 2012 (Acervo REGUA)

O sucesso das ações investidas é fruto de muita dedicação. A valoração da atividade passa pela oportunidade de acompanhar o crescimento de uma árvore e o desenvolvimento da nova floresta em seus processos ecológicos. Como não ficar sensibilizado segurando uma semente, puro germoplasma, um organismo em toda a sua potência? – Pensamos nos mistérios de cada semente e naquilo que ela se tornará, desde a sua germinação até a formação da floresta: a composição perfeita de substrato, as tolerâncias hídricas, a rustificação no viveiro, o transporte ao campo, a preparação dos berços, a adubação ideal e os cuidados de manutenção. Essa deve ser a sensibilidade e o objetivo de cada reflorestador. Plantar “sempre” e “mais” árvores é uma obrigação na Regua, assim como monitorar todo o processo, unir esforços entre os atores e estabelecer os meios mais efetivos de comunicação para que o público possa entender que o reflorestamento é uma proposta séria e atual, capaz de inspirar as atuais e futuras gerações.

A Regua agradece a oportunidade de receber recursos de parceiros que nos ajudaram a plantar esses 300 hectares com mais de 200 espécies nativas, que hoje atraem visitantes do mundo todo, observadores de aves, representantes da academia e amantes da natureza em geral; permitindo que desfrutem desse sonho conquistado. Reflorestar é contribuir com amor para a nossa belíssima Mata Atlântica; é também a única forma de garantir a sua conservação perpétua.

Capacitação de professores para o uso de trilhas interpretativas

Uma estação na Trilha Interpretativa (© Tatiana Horta)

As trilhas interpretativas têm atributos especiais como: a sensibilização do público, a interação e a conscientização. Por meio destes meios é possível transmitir ao público conhecimentos, de maneira informal, o que permite a participação no processo ensino-aprendizagem de maneira mais agradável. Através dos recursos desse meio busca-se envolver os visitantes e despertar um novo olhar sobre a natureza, por meio da interpretação ambiental.  

O uso da trilha interpretativa é uma ótima ferramenta em educação ambiental. Para melhor proveito dessa estratégia, é necessário preparar os profissionais da educação para seu uso. O educador não deve só conhecer bem o percurso da trilha, mas também saber dos seus potenciais que se correlacionam com os conteúdos trabalhados em sala de aula.

O Programa de Capacitação para professores do projeto Guapiaçu Grande Vida tem por objetivo aproximar tais profissionais desse importante instrumento de sensibilização ambiental. Assim, há um melhor aproveitamento nas visitas escolares que acontecerão ao longo do ano na REGUA.

Em setembro, o curso teve como público-alvo os professore do município de Cachoeiras de Macacu, participaram das atividades 18 educadores de escolas do município. O evento ocorreu nos dias 11, 20 e 28 de setembro com carga horária de 20 horas, com aulas teóricas e práticas na REGUA.

Monitores ambientais: seleção e capacitação

Foto dos alunos e monitores (© Tatiana Horta)

A proposta de educação ambiental para monitoramento da análise de água de rios do município é a realização de um programa piloto envolvendo os estudantes da rede pública do município de Cachoeiras de Macacu. O objetivo é sensibilizar os jovens para a importância da preservação ambiental para a qualidade dos rios, assim como sobre a influência do homem em determinados locais.

Para esse segundo grupo, cinco unidades escolares do município foram selecionadas para o programa piloto se apresentado: Colégio Estadual Sol Nascente, Colégio Estadual Maria Zulmira Torres, Colégio Estadual Maria Veralba Ferraz, Colégio Municipal Professor Carlos Brandão e CIEP 479 Dr. Mário Simão Assaf. A proposta foi apresentada aos estudantes, e as Fichas de inscrição foram distribuídas aos interessados. Os alunos inscritos participaram de uma seleção, que avaliou não só critérios como histórico escolar, mas também a criatividade, comunicação, liderança, pró atividade, relação interpessoal, capacidade de produção, disponibilidade e responsabilidade.

Colhendo e analisando amostras de água (© Tatiana Horta)

Foram 71 estudantes inscritos na seleção, e desses, 30 foram selecionados. Os estudantes selecionados participaram de uma capacitação nos dias 14, 17 e 18 de setembro, com carga horária de 20 horas, com aulas teóricas e práticas na REGUA. Os estudantes capacitados participarão de coletas para análise de água mensalmente, junto com a equipe do projeto a partir de outubro, junto com a primeira turma capacitada.

São coletadas amostras de água em 12 pontos da bacia hidrográfica e os resultados são computados e analisados pelos jovens com a supervisão de profissionais da equipe do projeto. Esses resultados alimentam um banco de dados que vão gerar uma publicação que será finalizada em 2019.

RPPN RESERVA ECOLOGICA DE GUAPIACU – REGUA I,II,III (Chanceladas pelo INEA em 2013,2014, 2017 respectivamente).

O livro “10 anos de apoio a conservação da biodiversidade- Programa Estadual de Reservas Particulares do Patrimonio Natural- do INEA” – foi apresentado e distribuido durante evento aberto ao publico interessado. Proprietários de terras, autoridades e equipe técnica do INEA, representantes do governo estadual e municipal, representantes da Confederação Nacional de RPPNs, representantes de ONGs se reuniram no Museu do Amanhã, centro da cidade do Rio de Janeiro, para comemorar o resultado obtido nesta ultima década referente ao incentive do INEA na criação de 85 RPPNs que protegem 8 mil hectares no estado do Rio de Janeiro. As RPPNs (Reservas Particulares do Patrimonio Natural) sao criadas pela livre e espontanea vontade do proprietário em caráter de perpetuidade. A figura jurídica das RPPNs esta contemplada no Sistema Nacional de Unidades de Conservação-SNUC conforme previsão da Lei Federal 9985/2000.

Depoimento do Nicholas e Raquel Locke

O Brasil tem varios biomas e, neles, muitas das paisagens mais belas do planeta. Nao faltam montanhas , rios, cachoeiras, praias e florestas com flora e fauna especificas. Pensando na sua proteção, o governo nos brindou com uma parceria através do termo RPPN. A criação de RPPNs permite que aqueles proprietários que se preocupam com a  perpetua conservação das sus propriedades criem seus santuarios, chancelados pelo governo e protegidos por lei. O governo ganha com o aumento das areas protegidas e os RPPNistas garantem a preservação das mesmas. Com o novo Código Florestal, recomendo que todos os proprietários transformem suas Reservas Legais e Areas de Proteção Permanente (APPS) em RPPNs, ganhando anuencia da Receita Federal, redução de impostos e futuros beneficios através de pagamento por serviços ambientais.

Com isso, teríamos uma definição territorial melhor, facilitando o planejamento e a gestão da paisagem, alem da tranquilidade fiscal. Assim, garantimos a preservação da nossa imensa biodiversidade, e as futuras gerações ganham um pais mais bonito. Olha que maravilha!

 

Vigiando o ninho das abelhas

Michael Patrikeev, um amigo Canadense de longa data, ex-voluntário e apoiante da REGUA, enviou esta incrível fotografia de abelhas nativas sem ferrão – Scaptotrigona xanthotricha, também conhecida como Mandaguari Amarela – juntamente com esta explicação do comportamento registrado pela foto:

“Esta espécie, restrita à Mata Atlântica do sudeste brasileiro, habita a floresta úmida  primária e secundária madura, onde constrói ninhos em cavidades e fendas de árvores. A imagem mostra as abelhas guardando as estruturas elaboradas na entrada do ninho. Estas estruturas, que se assemelham a fungos de árvores, são feitas de cera.

Ninho de Scaptotrigona xanthotricha (© Michael Patrikeev)

Observe as marcas de garras abaixo do ninho à esquerda. Essas abelhas são conhecidas por produzir um mel de boa qualidade, e talvez algum mamífero tenha tentado roubar previamente o ninho”.

Esta é apenas uma das inúmeras espécies florestais protegidas na REGUA. Cada informação que encontramos continua a reforçar a importância do trabalho que a equipe da REGUA e seus apoiadores tornam possível.

Mais informações e documentação fotográfica da Biodiversidade da REGUA podem ser encontradas no website de Michael:

http://www.wildnatureimages.org/Insects/Hymenoptera/Apidae-bees/Scaptotrigona-xanthotricha.html

Em homenagem a Gabriela Viana do GGV

Casal de jacurutus encontrados acasalando na REGUA!

Jacurutus, REGUA, 19 de agosto 2018 (© Adilei Carvalho da Cunha)
Jacurutus, REGUA, 19 de agosto 2018 (© Adilei Carvalho da Cunha)

Em outubro 2017, o guia de aves da REGUA, Adilei Carvalho da Cunha escutou a vocalização de uma jacurutu Bubo virginianus na comunidade de Matumbo próxima a REGUA. Com distribuição ampla, abrangendo grande parte da America do Norte, Central e Sul, faz tempo que se esperava inclui-la na lista de aves da REGUA. Este foi o primeiro registro na REGUA.

Infelizmente, não deu mais sinal de vida até há poucos dias atrás, em 18 de agosto 2018, quando finalmente Adilei viu a ave (primeiro avistamento registrado na REGUA). Ao retornar na manha seguinte com a sua camera, ele se deparou nao com uma ave solitaria mas com um casal. Enquanto observaba e fotografava o casal, qual nao foi seu espanto quando as aves começaram a acasalar na sua frente!

Este e um registro incrível e um novo registro de especie de coruja para a REGUA. A adição da jacurutu incrementou a lista de aves da REGUA para 479 especies! Parabéns Adilei pelo achado e documentação deste magnifico registro!

Jacurutus, REGUA, 19 de agosto 2018 (© Adilei Carvalho da Cunha)
Jacurutus, REGUA, 19 de agosto 2018 (© Adilei Carvalho da Cunha)
Jacurutu, REGUA, 19 de agosto 2018 (© Adilei Carvalho da Cunha)
Jacurutu, REGUA, 19 de agosto 2018 (© Adilei Carvalho da Cunha)

Espécie nova de Odonata (Zygoptera / donzelinha) da REGUA

É com muita satisfação que anunciamos a publicação de mais uma espécie nova para a ciência encontrada na REGUA.

O artigo de Ângelo Parise Pinto e Tom Kompier pode ser lido ou baixado aqui: “In honor of conservation of the Brazilian Atlantic Forest: description of two new damselflies of the genus Forcepsioneura discovered in private protected areas (Odonata: Coenagrionidae)

Forcepsioneura regua sp. nov. (© Tom Kompier)

A nova espécie pertence ao gênero Forcepsioneura (endémico da Mata Atlântica), tendo sido denominada de F. regua sp. nov.

A contribuição de Tom para nosso conhecimento da fauna local de libélulas (lavadeiras) e donzelinhas tem sido magnífica e aporta evidencia muito valiosa sobre a importância  e valor biológico desta Reserva da Natureza. Ele iniciou sua pesquisa de campo visando o inventário das espécies de Odonata da região em 2012, efetuando viagens a cada dois meses  desde a Holanda até à REGUA ao longo de 2013 afim de cobrir as distintas estações do ano;  identificando 204 species na alta bacia do rio Guapiaçu, desde a baixada até à região montanhosa de Salinas na região dos Três Picos.  Tom recebeu apoio de Ângelo Pinto e do Professor Alcimar Carvalho do Museu Nacional /UFRJ, tendo o resultado sido publicado sob a forma de um guia de campo para os Odonata da Serra dos Órgãos (veja detalhes em Publicações).

Posteriormente, Tom se mudou para o Vietnã a serviço da Cooperação da Embaixada da Holanda nesse país asiático, onde passou dois anos percorrendo o mesmo de ponta a ponta para fazer o guia de campo definitivo das espécies de libélulas dessa nação!

A diferença principal entre lavadeiras e donzelinhas é a posição em repouso das asas; nas primeiras elas se estendem perpendicularmente ao corpo e nas demais estão apostas dorsalmente e alinhadas com o eixo do mesmo.

Desde antão a REGUA tem recebido visitas anuais guiadas por Tom para observar e fotografar Odonata, sendo possível ver cerca de 160 espécies diferentes num espaço de 8 dias!!

Mais uma vez, muito obrigado Tom por sua determinação exemplar e magnífica contribuição; tendo o seu trabalho nos inspirado para proseguir com projetos semelhantes no que tange a formigas, borboletas e aranhas.

Projeto de reintrodução da Jacutinga (Aburria jacutinga) na REGUA

Em 2010, tendo em conta a alarmante situação de conservação da jacutinga e as constantes pressões ao habitat da espécie, teve início o “Programa de Conservação de Aves Cinegéticas da Mata Atlântica: Reintrodução e Monitoramento de Jacutingas (Aburria jacutinga)e.g. Projeto Jacutinga. O programa foi uma exigência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio/APA Mananciais do Rio Paraíba do Sul com a finalidade de atender parte do passivo ambiental referente à licença de instalação do gasoduto Caraguatatuba-Taubaté (GASTAU) construído pela Petrobras.

A Fase I (2010-2013) do programa confirmou a raridade da jacutinga na Região da Serra do Mar e a necessidade de um reforço populacional urgente a fim de evitar a extinção local da espécie, considerada Criticamente Ameaçada (CR) de extinção pela lista de animais ameaçados no estado de São Paulo e Em Perigo (EN) de acordo com a lista Nacional de dezembro de 2014. No estado do Rio de Janeiro a espécie está extinta, tendo sido avistada pela última vez em 1978 no Itatiaia e em 1980 na Serra dos Órgãos; o que levou à extensão do programa de reintrodução da ave para a Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA).

Alecsandra Tassoni e Flávio Soffiati, veterinário do Projeto. (©  REGUA)

A Fase II (iniciada em 2014 e com duração prevista para cinco anos) visa a reintrodução e monitoramento de jacutingas na região da Serra da Mantiqueira em São Francisco Xavier na Serra da Mantiqueira, em áreas próximas ao Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Caraguatatuba/São Paulo e na REGUA/Cachoeiras de Macacu, estado do Rio de Janeiro . Paralelamente, será estabelecido um protocolo de reintrodução e monitoramento destas aves de forma a poder ser replicado em outros locais onde a espécie está localmente extinta.

 As ações do projeto envolvem testes de sanidade das aves, preparação comportamental, reintrodução/soltura e monitoramento, educação e disseminação da importância da conservação da jacutinga e outras aves de Mata Atlântica. O apoio de zoológicos e dos criadouros conservacionistas de jacutingas, mediante fornecimento de aves para serem soltas é fundamental para o sucesso do projeto.

As jacutingas Thaty, Lily, Coffee e Carmen oriundas de cativeiro (3 da UENF e 1 do Parque das Aves) ficaram cerca de 6 meses no viveiro de reabilitação do Projeto Jacutinga em São Francisco Xavier para treinamentos de reconhecimento de predadores (aves de rapina, felinos e cães), teste alimentar, de voo e observações comportamentais. Após serem consideradas aptas para soltura foram transferidas para o viveiro de ambientação na REGUA onde passarão um mês de aclimatação antes da soltura.  Após a reintrodução serão monitoradas através de transmissores de localização via rádio, busca ativa e pela participação da comunidade local incentivando a prática de observação de aves.

Alecsandra, Flávio, Raquel e Rildo transportando a primeira jacutinga para o viveiro (© REGUA)

 

O projeto realizou a primeira soltura em junho de 2016 e até o momento foram 12 jacutingas soltas na Serra da Mantiqueira e 06 na Serra do Mar, totalizando 18 indivíduos.

Este projeto é realizado pela SAVE Brasil e patrocinado pela Fundação Grupo Boticário no RJ e pela Petrobras em SP.

 Alecsandra Tassoni, coordenadora do Projeto Jacutinga da SAVE Brasil