Reflorestamento

Desde sua ocupação no século 16, muitas florestas da baixada fluminense foram perdidas por desmatamento na busca por terras férteis e a extração de madeiras nobres. As baixadas foram drenadas, logo em seguida sendo ocupadas e transformadas em núcleos habitacionais, além de áreas cultiváveis. O processo de ocupação do vilarejo Guapiaçu não foi diferente, porém com a aquisição da Fazenda São José de Guapiaçu em 2003, a REGUA resolveu iniciar um projeto ambicioso de restauração para recompor a paisagem e recriar um hábitat típico da Mata Atlantica. No início, existia a necessidade de formação de um corredor entre uma área de vegetação no fundo da propriedade, com a pousada, permitindo assim, a vinda de aves que necessitam da constante proteção das florestas. O resultado foi tão animador, que a REGUA iniciou o plantio de árvores em volta dos banhados, criando um ambiente mais parecido com o do século 16.

O processo de plantio

O processo de plantio iniciou-se com a coleta de sementes. Após 10 anos de experiência, a REGUA tem mais de 240 espécies de árvores georreferenciadas e cadastradas pela RENASCEM. As sementes são beneficiadas ora para o plantio, ora para o armazenamento em câmara fria, esperando a oportunidade para plantio nas caixas de areia. As sementes, depois de semeadas nestas caixas são cuidadosamente tratadas e transferidas para sacos preparados com extrato. Posteriormente, as mudas são levadas à casa de sombra para ajuste de luminosidade para finalmente serem levadas ao pátio de sol esperando adaptação e sua transferência para o campo. Em geral, este processo leva de seis meses a um ano.

Antes do plantio, a área destinada ao reflorestamento segue uma rigorosa aferição para correção de acidez, e aos berços é adicionado adubo esperando-se apenas a época de chuvas para o início do plantio das mudas. É plantada uma mistura de 60% espécies pioneiras e 40% de espécies de clímax oriundas do viveiro, porém árvores e plântulas que já estejam brotando são deixadas para crescer, e após o plantio a manutenção de todas as plantas é feita cuidadosamente.

A REGUA cadastrou seu viveiro no RENASCEM, e já estudou e calculou outras áreas para reflorestamento, que também seriam elegíveis para sequestro de carbono na alta bacia do Rio Guapiaçu. A REGUA espera por oportunidades e demandas para continuar plantando mais árvores em áreas degradadas, para assim, concretizar a sua missão de conservação da alta bacia do Rio Guapiaçu.

Monitoramento de crescimento

A engenheira florestal Aline Damasceno tem acompanhado o processo de monitoramento tanto no viveiro como no campo. Toda linha de produção envolve muito cuidado para garantir a qualidade das mudas que irão a campo. Pelo UFRRJ, Aline fez sua tese de mestrado estudando o sequestro de carbono nas áreas de plantio e ainda mantêm parcelas em estudo cinco anos após a finalização do estudo. A área da Petrobras Ambiental obteve a certificação da CCBA – The Climate Community and Biodiversity Alliance – mostrando o grau de qualidade do seu plantio. O INEA também estabeleceu parcelas de monitoramento para acompanhar o desenvolvimento em campo de árvores nativas.

Progresso ao longo do tempo

Ano No. de árvores plantadas Área reflorestada (ha)
2004 1,729 2.08
2005 2,584 3.10
2006 2,333 2.80
2007 6,042 7.25
2008 14,167 17
2009 34,608 27.53
2010 17,250 6.90
2011 30,717 12.68
2012 39,483 23.69
2013 17,383 60.43
2014 86,667 52
2015 83,333 50

Infelizmente o patrocínio da Petrobras Ambiental não foi renovado, e para o final de 2016 espera-se o plantio de 5.000 árvores, que será patrocinado pelo World Land Trust. A REGUA também vem negociando áreas de plantio com o SOS Mata Atlantica.

Patrocínio

Em 2006, a REGUA obteve financiamento do World Land Trust para um projeto de reflorestamento de 60 hectares, que levou quatro anos para ser concluído. Já em 2009, a SOS Mata Atlântica financiou o plantio de 23.800 mudas no alto do Estreito, plantando num morro da propriedade da REGUA recém-adquirida com apoio externo. Deu tão certo que a SOS Mata Atlântica ajudou financiar mais projetos atraindo também a Iniciativa Verde. Ambos têm financiado projetos de recuperação, porém a World Land Trust nunca deixou de financiar novos plantios anuais, utilizando recursos do Body Shop, Puro Coffee e outros apoiadores. Em paralelo, um Pop star Sul Coreano chamado Seotaiji também quis ajudar o projeto, e seu fã-clube financiou dois plantios. Em 2012, a REGUA saiu de um viveiro muito básico para um viveiro moderno com apoio financeiro do Mosaico Central Fluminense, permitindo assim, o aumento de sua produção de mudas. Finalmente, o último plantio foi de 180.000 árvores em 100 hectares, fruto de um patrocínio da Petrobrás Ambiental no ano de 2013. Hoje, a REGUA se orgulha do plantio que chegou a 360.000 árvores, totalizando uma área de mais de 200 ha, sendo atualmente considerada uma referência para esta atividade.

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Sementes de árvores nativas são coletadas das matas na REGUA (© Barry Yates)
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As sementes são germinadas no viveiro e as mudinhas transplantadas para sacolas onde crescem até serem plantadas (© Barry Yates)
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O viveiro produz 70.000 mudas de 180 espécies, por ano (© Rachel Walls)
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As mudas do viveiro são carregadas e transportadas em caminhões até ao local do plantio (© Alan Martin)
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Mudas sendo plantadas em locais especialmente preparados de antemão (© Barry Yates)