Category Archives: Biodiversidade

Vigiando o ninho das abelhas

Michael Patrikeev, um amigo Canadense de longa data, ex-voluntário e apoiante da REGUA, enviou esta incrível fotografia de abelhas nativas sem ferrão – Scaptotrigona xanthotricha, também conhecida como Mandaguari Amarela – juntamente com esta explicação do comportamento registrado pela foto:

“Esta espécie, restrita à Mata Atlântica do sudeste brasileiro, habita a floresta úmida  primária e secundária madura, onde constrói ninhos em cavidades e fendas de árvores. A imagem mostra as abelhas guardando as estruturas elaboradas na entrada do ninho. Estas estruturas, que se assemelham a fungos de árvores, são feitas de cera.

Ninho de Scaptotrigona xanthotricha (© Michael Patrikeev)

Observe as marcas de garras abaixo do ninho à esquerda. Essas abelhas são conhecidas por produzir um mel de boa qualidade, e talvez algum mamífero tenha tentado roubar previamente o ninho”.

Esta é apenas uma das inúmeras espécies florestais protegidas na REGUA. Cada informação que encontramos continua a reforçar a importância do trabalho que a equipe da REGUA e seus apoiadores tornam possível.

Mais informações e documentação fotográfica da Biodiversidade da REGUA podem ser encontradas no website de Michael:

http://www.wildnatureimages.org/Insects/Hymenoptera/Apidae-bees/Scaptotrigona-xanthotricha.html

Casal de jacurutus encontrados acasalando na REGUA!

Jacurutus, REGUA, 19 de agosto 2018 (© Adilei Carvalho da Cunha)
Jacurutus, REGUA, 19 de agosto 2018 (© Adilei Carvalho da Cunha)

Em outubro 2017, o guia de aves da REGUA, Adilei Carvalho da Cunha escutou a vocalização de uma jacurutu Bubo virginianus na comunidade de Matumbo próxima a REGUA. Com distribuição ampla, abrangendo grande parte da America do Norte, Central e Sul, faz tempo que se esperava inclui-la na lista de aves da REGUA. Este foi o primeiro registro na REGUA.

Infelizmente, não deu mais sinal de vida até há poucos dias atrás, em 18 de agosto 2018, quando finalmente Adilei viu a ave (primeiro avistamento registrado na REGUA). Ao retornar na manha seguinte com a sua camera, ele se deparou nao com uma ave solitaria mas com um casal. Enquanto observaba e fotografava o casal, qual nao foi seu espanto quando as aves começaram a acasalar na sua frente!

Este e um registro incrível e um novo registro de especie de coruja para a REGUA. A adição da jacurutu incrementou a lista de aves da REGUA para 479 especies! Parabéns Adilei pelo achado e documentação deste magnifico registro!

Jacurutus, REGUA, 19 de agosto 2018 (© Adilei Carvalho da Cunha)
Jacurutus, REGUA, 19 de agosto 2018 (© Adilei Carvalho da Cunha)
Jacurutu, REGUA, 19 de agosto 2018 (© Adilei Carvalho da Cunha)
Jacurutu, REGUA, 19 de agosto 2018 (© Adilei Carvalho da Cunha)

Espécie nova de Odonata (Zygoptera / donzelinha) da REGUA

É com muita satisfação que anunciamos a publicação de mais uma espécie nova para a ciência encontrada na REGUA.

O artigo de Ângelo Parise Pinto e Tom Kompier pode ser lido ou baixado aqui: “In honor of conservation of the Brazilian Atlantic Forest: description of two new damselflies of the genus Forcepsioneura discovered in private protected areas (Odonata: Coenagrionidae)

Forcepsioneura regua sp. nov. (© Tom Kompier)

A nova espécie pertence ao gênero Forcepsioneura (endémico da Mata Atlântica), tendo sido denominada de F. regua sp. nov.

A contribuição de Tom para nosso conhecimento da fauna local de libélulas (lavadeiras) e donzelinhas tem sido magnífica e aporta evidencia muito valiosa sobre a importância  e valor biológico desta Reserva da Natureza. Ele iniciou sua pesquisa de campo visando o inventário das espécies de Odonata da região em 2012, efetuando viagens a cada dois meses  desde a Holanda até à REGUA ao longo de 2013 afim de cobrir as distintas estações do ano;  identificando 204 species na alta bacia do rio Guapiaçu, desde a baixada até à região montanhosa de Salinas na região dos Três Picos.  Tom recebeu apoio de Ângelo Pinto e do Professor Alcimar Carvalho do Museu Nacional /UFRJ, tendo o resultado sido publicado sob a forma de um guia de campo para os Odonata da Serra dos Órgãos (veja detalhes em Publicações).

Posteriormente, Tom se mudou para o Vietnã a serviço da Cooperação da Embaixada da Holanda nesse país asiático, onde passou dois anos percorrendo o mesmo de ponta a ponta para fazer o guia de campo definitivo das espécies de libélulas dessa nação!

A diferença principal entre lavadeiras e donzelinhas é a posição em repouso das asas; nas primeiras elas se estendem perpendicularmente ao corpo e nas demais estão apostas dorsalmente e alinhadas com o eixo do mesmo.

Desde antão a REGUA tem recebido visitas anuais guiadas por Tom para observar e fotografar Odonata, sendo possível ver cerca de 160 espécies diferentes num espaço de 8 dias!!

Mais uma vez, muito obrigado Tom por sua determinação exemplar e magnífica contribuição; tendo o seu trabalho nos inspirado para proseguir com projetos semelhantes no que tange a formigas, borboletas e aranhas.

Borboleta rara encontrada na REGUA

Ortilia polinella
Fêmea de Ortilia polinella (© Duncan McGeough)

O projeto do próximo guia de campo da REGUA – Guia de Observação das Borboletas da Serra dos Órgãos – está progredindo, e com ele têm surgido conhecimentos novos sobre a fauna local de borboletas, juntamente com registros novos baseados em fotografias de hóspedes, voluntários e demais visitantes, que não param de chegar.

Uma notável raridade da Mata Atlântica foi encontrada em outubro de 2013 por Duncan McGeough, um voluntário da Alemanha, a apenas 30 metros do escritório da REGUA. Ortilia polinella (A. Hall, 1928), uma borboleta ‘prima’ das  Fritillarias da Europa como Melitaea cinxia. Esta espécie é conhecida de menos de meia dúzia de localidades nos estados brasileiros de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo; sendo também muito raramente encontrada em coleções (apenas três fêmeas e seis machos no Museu de História Natural, Londres ). Um achado estupendo!

Os adultos são encontrados principalmente em matas, nas áreas e locais iluminados pelo Sol (bordas, pequenas clareiras, ao longo de trilhas, etc). Sua biologia é desconhecida, mas outras espécies do gênero usam espécies de Justicia (Acanthaceae) como plantas alimentícias das larvas. A foto mostra um exemplar feminino desgastado, descansando e tomando sol entre vôos exploratórios curtos para encontrar uma planta para ovipositar.

Duncan também ajudou com a criação do folheto de mariposas da REGUA que os hóspedes podem pegar na pousada, com 60 espécies comuns facilmente observadas no muro das mariposas.

Mais informações sobre Ortilia polinella podem ser encontradas aqui:

Fotos digitais de espécimes: http://butterfliesofamerica.com/L/t/Ortilia_polinella_a.htm

Revisão de Phyciodes/Ortilia por Higgins : http://archive.org/stream/bulletinofbritis43entolond#page/119/mode/1up

Registros novos de borboletas para o Estado do Rio de Janeiro

Semomesia geminus (Fabricius, 1793), REGUA, RJ, Brasil (© Jailson da Silva)

Apesar do RJ ter sido historicamente uma das portas de entrada preferida de muitos dos naturalistas que nos visitaram – quer no tempo da Colônia, como no do Império – resultando num invejável precedente de alguns séculos de pesquisa e documentação da Biodiversidade no Estado; ainda aparecem ‘surpresas’ ocasionalmente e, inclusive, espécies novas para a Ciência, especialmente nos grupos menos estudados e amostrados.

Nesta postagem damos a conhecer dois registros novos de borboletas para o RJ, da família Riodinidae. Estas espécies foram documentadas – por meio de fotografia digital – por alguns dos nossos hóspedes, pesquisadores ou funcionários, em suas caminhadas pelas trilhas da REGUA.

Semomesia geminus possui registros no ES, MG e PE, pelo que seu aparecimento no RJ não foi uma surpresa total; tendo já sido fotografada uma meia dúzia de vezes nas trilhas da REGUA por várias pessoas, inclusive nossos guarda-parques.

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Calospila parthaon (J.W. Dalman 1823), REGUA, RJ, Brasil, December 2015 (© Sandra Lamberts)

Calospila parthaon é conhecida apenas da região Amazônica e referenciada na BA, tendo sido fotografada (ambos sexos) na Trilha São José, por nossos hóspedes Arnold Wijker e Sandra Lamberts em Dezembro de 2015, numa estadia de fotografia muito produtiva na qual registraram muitas ocorrências novas de Riodinideos na REGUA e na região do Pico do Caledônia (Parque Estadual dos Três Picos – PETP).

Bibliografia

SOARES, BIZARRO, BASTOS, TANGERINI, SILVA, DA SILVA & SILVA; 2011. Preliminary analysis of the diurnal Lepidoptera fauna of the Três Picos State Park, Rio de Janeiro, Brazil, with a note on Parides ascanius (Cramer, 1775). Tropical Lepidoptera  Research 21(2): 66-79.

BIZARRO, J. M. S. & A. SOARES, 2012. Semomesia geminus (Fabricius, 1793) (Lepidoptera: Riodinidae: Mesosemiini): First records for Rio de Janeiro and Pernambuco states, range extension and distribution map, with an assessment of its potential wider occurrence in Brazil. Check List 8(3): 548-550.