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Projeto socioambiental da Petrobras em Guapiaçu III (2020-2022)

O time do Guapiaçu III (© Breno Viana)
O time do Guapiaçu III (© Breno Viana)

A REGUA tem o prazer de anunciar que a Petrobras Socioambiental renovou o financiamento do GGV ou o agora renomeado ‘Projeto Guapiaçu III’. O projeto continua com seus objetivos em restauração e educação. Além de fortalecer o ecossistema da Mata Atlântica na REGUA através do plantio de árvores e continuar apoiando a educação, um novo elemento será o apoio oficial ao programa de reintrodução da Anta em curso na reserva.

Restauração florestal: Um misto de plantio de árvores e regeneração natural em 100 hectares ocorrerá na bacia hidrográfica de Guapiaçu, bem como o monitoramento de 260 hectares financiados pela Petrobras com o objetivo de medir o seqüestro de carbono. As árvores nativas são plantadas usando uma mescla de espécies pioneiras, secundárias e clímax. Além disso, este projeto identificará e selecionará mais 190 hectares dentro da bacia hidrográfica como parte de um banco de dados de restauração.

Educação ambiental: as escolas primárias e secundárias continuarão a visitar a REGUA na “trilha Grande Vida”, que vai desde o início da trilha amarela até a ponte de madeira. Os primeiros 400 metros da trilha foram adaptados para receber visitantes portadores de deficiência física. Cartazes autoexplicativos ao longo da trilha descrevem alguns processos florestais e alguns dos trabalhos de conservação realizados no REGUA. A equipe do projeto visitará jardins de infância nos municípios de Cachoeiras de Macacu e Itaboraí.

O GGV continuará com o programa de monitoramento da qualidade da água, envolvendo 80 alunos do ensino médio treinados pela equipe para monitorar a qualidade da água dos rios Guapiaçu, Macacu e Caceribu em determinados locais de amostragem ao longo de cada rio (áreas urbanas a montante e a jusante) para fornecer dados sobre as características físicas dos rios e características químicas. A equipe também estudará indicadores biológicos da qualidade da água.

Programa de apoio à reintrodução da anta: Guapiaçú III O projeto socioambiental da Petrobras patrocinará o transporte e o equipamento de telemetria bem como o programa de promoção e extensão comunitária na área. Outras seis antas serão liberadas na REGUA a partir de junho de 2020.

Primeira anta selvagem nascida na REGUA

Imagem capturada da armadilha fotográfica mostrando a primeira anta selvagem nascida no Rio de Janeiro após 100 anos (© Adilei Carvalho da Cunha)

Trazemos a vocês a notícia do nascimento de uma anta Tapirus terrestris, ao ar livre, sem ter sido em cativeiro, fato que não ocorria há mais de 100 anos.

Essa história começa em 2016 quando o Professor Fernando Fernandez da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) elaborou um plano de soltura de antas, uma espécie extinta no estado do Rio de Janeiro há mais de 100 anos, na REGUA durante um período de 3 a 4 anos. O local estratégico pensado, uma das áreas reflorestadas em 2005 pela REGUA e financiada pelo World Land Trust, tinha conexão com o Parque dos Três Picos, onde se encontra o terceiro maior remanescente de Mata Atlântica do mundo. Após algum tempo de diálogo com as autoridades do Parque, citando os benefícios da dispersão de sementes realizada pelas antas, o aval foi dado.

Foram construídos dois grandes cercados na floresta, ao redor dos lagos da REGUA, para receber 3 antas que estavam em um criadouro em Minas Gerais. Vieram a Eva, seu filhote Floquinho e o seu parceiro Adão, nomes estes escolhidos pela comunidade do entorno da REGUA no final do ano 2017. Infelizmente, o Adão teve uma forte pneumonia e acabou morrendo, porém não muito tempo depois, o projeto Refauna trouxe mais três antas de um criadouro no Paraná. Eles se chamavam Júpiter, Valente e Flora. Júpiter remete ao Deus do céu e do trovão na mitologia romana, e o nosso Júpiter agindo de acordo, logo expulsou Floquinho de perto de sua mãe Eva, que agora vive na parte baixa da bacia do Guapiaçu. Assim, Júpiter se encontra no território da REGUA com as duas fêmeas Eva e Flora. Após 13 meses, Eva nos presenteou com o nascimento do primeiro bebê anta!

O projeto Refauna registrou as primeiras imagens através de uma armadilha fotográfica e recentemente, nosso guia de Aves Adilei Carvalho da Cunha, instalou duas armadilhas fotográficas, percebendo depois que um dos cartões de memória estava comprometido e o outro registrou um número incrível de pacas, saguis, gambás e cuícas, porém sem sucesso com o registro das antas. Ao substituir o cartão de memória finalmente voltou com os registros das antas, nos trazendo imensa alegria. Os vídeos mostram um indivíduo saudável, todavia sem nome, que deve estar com 3 meses. A mãe está vivendo em uma área mais aberta, sem ser na floresta densa, próximo a alguma lavoura ou campo, onde já foi vista várias vezes usando uma trilha que a leva ao rio.

Essa não é apenas a primeira anta selvagem nascida na Reserva Ecológica de Guapiaçu, como a primeira nascida sem ser em cativeiro após 100 anos. Agradecemos ao Projeto Refauna, aos donos dos criadouros e, às autoridades do Parque dos Três Picos, pois certamente irão se deparar com as antas em suas vastas áreas verdes.