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Os 14 anos de reflorestamento na Reserva Ecológica de Guapiaçu (Regua)

Qual é a necessidade de reflorestar se a mata retorna sozinha? – Essa é uma percepção do público leigo e, também, a pergunta mais respondida na Regua desde 2004. A resposta não é simples.

De antemão, a Regua é uma organização não governamental (ONG) ambiental localizada em Cachoeiras de Macacu, RJ, com a missão de conservar a alta bacia do Rio Guapiaçu, uma bacia estrategicamente importante na produção hídrica para a área leste da Baía Guanabara. Cerca de três milhões de pessoas bebem a água proveniente da Bacia do Rio Guapiaçu, que possui aproximadamente 60% da mata nativa em diversos estágios de recuperação. Será que essa cobertura florestal é suficiente para garantir abastecimento hídrico eternamente?

A área dos alagados na REGUA, tal como se apresentava nos finais dos anos 90, com pastos e uma plantação de macadâmia (à esquerda, na foto; Acervo REGUA).

Quatro ações essenciais apoiam a missão institucional: a proteção das florestas através de um quadro de guarda-parques e da criação da RPPN; a inclusão social através de um amplo programa de educação ambiental e visitação; o apoio e o incentivo a pesquisas para compreender como as florestas funcionam; e, por último, um programa de reflorestamento que, além de contribuir para uma maior funcionalidade ecológica, gera emprego e renda. Ao longo de 14 anos, foram plantadas quase meio milhão de árvores nativas da Mata Atlântica em 300 ha de áreas degradadas, utilizadas em parte pelo INEA, para o desenvolvimento de critérios para o monitoramento de resultados a respeito da recuperação florestal.

Quanto à pergunta inicial, a resposta é: depende. A regeneração natural não é simples nem instantânea. Mesmo que o processo de reflorestamento seja natural, áreas muito degradadas simplesmente não voltam ao seu estado original, tanto em relação à beleza cênica quanto à biodiversidade. Fruto de muita pesquisa, o reflorestamento hoje permite uma recuperação florestal relativamente rápida, beneficiando a biodiversidade associada, gerando emprego local, definindo planejamento territorial e permitindo a plena continuidade dos serviços ambientais dos quais dependemos, como a produção de água em quantidade e qualidade. O reflorestamento é a revolução verde do século XXI, combatendo a crise ambiental global em larga escala. Então, qual é o segredo do sucesso? – A resposta, simples, é: responsabilidade, uma atitude básica fundamentada em conhecimento, dedicação e valoração da atividade. O conhecimento florestal vem de uma preocupação com a crise ecológica. Nossa própria sobrevivência neste planeta depende do equilíbrio entre os mundos bióticos e abióticos. Não é fácil compreender toda a dinâmica, mas evidentemente temos obrigação de recuperar áreas degradadas, observar como funciona a complexa ordem fitossocial das florestas, suas matrizes, e nos familiarizarmos com as peculiaridades na produção de mudas de qualidade para cada espécie, com vistas à recuperação de áreas em larga escala. A observação faz melhorar a técnica. A dedicação faz conhecer e organizar as técnicas, melhorando o planejamento.

A mesma área nos finais de 2012 (Acervo REGUA)

O sucesso das ações investidas é fruto de muita dedicação. A valoração da atividade passa pela oportunidade de acompanhar o crescimento de uma árvore e o desenvolvimento da nova floresta em seus processos ecológicos. Como não ficar sensibilizado segurando uma semente, puro germoplasma, um organismo em toda a sua potência? – Pensamos nos mistérios de cada semente e naquilo que ela se tornará, desde a sua germinação até a formação da floresta: a composição perfeita de substrato, as tolerâncias hídricas, a rustificação no viveiro, o transporte ao campo, a preparação dos berços, a adubação ideal e os cuidados de manutenção. Essa deve ser a sensibilidade e o objetivo de cada reflorestador. Plantar “sempre” e “mais” árvores é uma obrigação na Regua, assim como monitorar todo o processo, unir esforços entre os atores e estabelecer os meios mais efetivos de comunicação para que o público possa entender que o reflorestamento é uma proposta séria e atual, capaz de inspirar as atuais e futuras gerações.

A Regua agradece a oportunidade de receber recursos de parceiros que nos ajudaram a plantar esses 300 hectares com mais de 200 espécies nativas, que hoje atraem visitantes do mundo todo, observadores de aves, representantes da academia e amantes da natureza em geral; permitindo que desfrutem desse sonho conquistado. Reflorestar é contribuir com amor para a nossa belíssima Mata Atlântica; é também a única forma de garantir a sua conservação perpétua.

Vigiando o ninho das abelhas

Michael Patrikeev, um amigo Canadense de longa data, ex-voluntário e apoiante da REGUA, enviou esta incrível fotografia de abelhas nativas sem ferrão – Scaptotrigona xanthotricha, também conhecida como Mandaguari Amarela – juntamente com esta explicação do comportamento registrado pela foto:

“Esta espécie, restrita à Mata Atlântica do sudeste brasileiro, habita a floresta úmida  primária e secundária madura, onde constrói ninhos em cavidades e fendas de árvores. A imagem mostra as abelhas guardando as estruturas elaboradas na entrada do ninho. Estas estruturas, que se assemelham a fungos de árvores, são feitas de cera.

Ninho de Scaptotrigona xanthotricha (© Michael Patrikeev)

Observe as marcas de garras abaixo do ninho à esquerda. Essas abelhas são conhecidas por produzir um mel de boa qualidade, e talvez algum mamífero tenha tentado roubar previamente o ninho”.

Esta é apenas uma das inúmeras espécies florestais protegidas na REGUA. Cada informação que encontramos continua a reforçar a importância do trabalho que a equipe da REGUA e seus apoiadores tornam possível.

Mais informações e documentação fotográfica da Biodiversidade da REGUA podem ser encontradas no website de Michael:

http://www.wildnatureimages.org/Insects/Hymenoptera/Apidae-bees/Scaptotrigona-xanthotricha.html

Em homenagem a Gabriela Viana do GGV

Um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de oportunidades!

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REGUA RPPN

A REGUA é uma ONG com designação de RPPN em 350 hectares e vive da captação de recursos para suas atividades de conservação. O título RPPN oferece aos potenciais doadores da REGUA, garantias que a sua doação se converta em patrimônio perpétuo.

Esta denominação é conhecida e respeitada globalmente trazendo transparência a missão da instituição. A definição do uso de solo da RPPN, fruto de um minucioso planejamento e mapeamento topográfico é um exemplo de gestão territorial.

A REGUA também reconhece o privilégio de contribuir com o Parque Estadual Três Picos em aumentar a área protegida para incluir áreas baixas que são essenciais na garantia da qualidade da biodiversidade desta belíssima Unidade de Conservação.