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Pesquisa na REGUA

Dentre os poucos estudantes que visitaram a REGUA no ano atípico de 2020, em que as saídas de campo foram suspensas, está um grupo muito especial da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), do laboratório de Ecologia de Rio e Córregos. O tema de pesquisa da doutouranda Beatriz Ferreira, busca avaliar se a forma de manejo de áreas de pasto, com árvores isoladas, diminui o efeito do desmatamento sobre o papel dos girinos de anuros (sapos, pererecas e rãs) em poças. Anuros usam locais com água acumulada para reprodução, tornando os girinos essenciais para a manutenção deste tipo de ambiente. A retirada da floresta afeta diretamente o desempenho dos Anuros.  

Nas saídas de campo, dois outros estudantes acompanharam a Beatriz, o Orlando de Marques Vogelbacher e o Jeferson Ribeiro Amaral, que registrou alguns dos momentos vivenciados por eles. Ao retratar uma simples saída de campo, algumas imagens realmente são capazes de tirar o nosso fôlego! Isso mostra, que além da importância da pesquisa, o quanto a dinâmica da natureza está presente ao nosso redor. Agradecemos aos estudantes pelo seu empenho e compartilhamento de lindas imagens!

Uma Coruja-buraqueira cuidando do seu ninho (© Jeferson Ribeiro Amaral).

 

Saíra-sete-cores na área comum da REGUA (© Jeferson Ribeiro Amaral).
Curica ou Papagaio-do-mangue (© Jeferson Ribeiro Amaral).

 

 

A Dahlstedtia

Em uma caminhada por uma das áreas da REGUA, foram vistas as plantas do gênero Dahlstedtia que ocorrem exclusivamente no bioma Mata Atlântica, nos estados de Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O gênero é constituído por duas espécies: D. pinnata e D. pentaphylla, embora muitos autores as considerem monotípicas. Apresentam porte arbóreo-arbustivo, inflorescências grandes, tubulosas e vistosas.

Conhecida como “Timbo”, suas flores são muito visitadas por beija-flores, que as polinizam. Sua casca e raíz esmagadas têm a capacidade de atordoar e asfixiar os peixes, prática utilizada no passado pelos povos autóctones da região, ao pescar.

Dahlstedtia em flor (© Raquel Locke).

Bosques da Memória

Começou em meados de dezembro de 2020 a Campanha “Bosques da Memória”.
A ideia é plantar árvores e recuperar florestas, como um gesto simbólico em homenagem às vítimas da COVID-19 e em agradecimento aos profissionais de saúde no Brasil.

Campanha Bosques da Memória.

​Essa campanha é uma promoção conjunta da Rede de ONGs da Mata Atlântica – RMA, da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica – RBMA e do PACTO pela Restauração da Mata Atlântica. É desenvolvida de forma participativa e colaborativa, e está aberta às pessoas e instituições interessadas. Em todo o país, já são 21 iniciativas aderindo a esta campanha.

Viveiro de produção de mudas (©Micaela Locke).

É também um espaço de divulgação de outras iniciativas que tem o mesmo objetivo, que além de buscar a transformação desse momento de tristeza e devastação, quer trazer esperança à Mata Atlântica e alertar sobre os impactos das mudanças climáticas. A campanha também marca o início da Década da Restauração de Ecossistemas 2021-2030 declarada pela ONU.

Defesa de monografia

Nesta quarta-feira (09/12) as 9:00 horas, o aluno Rodrigo Ferreira Gomes defenderá sua Monografia intitulada: estudo de tempo, movimento e comportamento em campo de espécies arbóreas oriundas de mudas produzidas em tubetes e sacos plásticos.  Rodrigo é orientado pelo professor Paulo Sérgio Leles, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que vem conduzindo estudos relacionados ao aprimoramento das técnicas silviculturais para formação de povoamentos florestais visando a restauração florestal, com ênfase em estudos sobre controle de plantas daninhas e uso de biossólido de lodo de esgoto como adubação de plantio. Muitos dos alunos do Professor Leles fazem os seus experimentos aqui na REGUA.

O link para o seminário é:  https://meet.google.com/ccq-zyjo-bov

Rodrigo realizando trabalho em campo (©Paulo Sérgio Leles).

Uma breve atualização sobre o Inaturalist.

Jean-Paul, criador do projeto REGUA Bioblitz 17-24 November 2020, teve como objetivo de viagem realizar diferentes Bioblitz pela região montanhosa de Nova Friburgo, e também aqui na REGUA, em Cachoeiras de Macacu. Os resultados foram super positivos, apesar do período de Pandemia não ter permitido a participação de mais interessados em fotografar a natureza. O nosso Bioblitz durou uma semana e contou com a observação de mais de 1.000 espécies e identificação de 470 espécies dentro da própria comunidade Inaturalist.

Jean-Paul realizando suas observações para serem adicionadas à Plataforma Inaturalist (© Nicholas Locke).

Jean-Paul teve a oportunidade de conhecer algumas áreas interessantes da REGUA, como “Valdenor” no Estreito, área de transição composta por ambientes restaurados e florestas secundárias; a trilha verde, acompanhado do Rildo de Oliveira, que patrulha a região mais alta e conservada da REGUA, o “Fragmento”, onde há um antigo remanescente de floresta em bom estado de conservação; e o Vecchi, distante 15 km da REGUA, composto por áreas abertas, que proporcionam uma boa observação da biodiversidade local.   

 

Jean-Paul fotografou diversas mariposas graças à parede que é iluminada por uma lâmpada especial que contém vapor de mercúrio, super estimulante para as mariposas.

Mariposa da Família Notodontia encontrada na REGUA (© Jean-Paul Boerekamps).

Dentro as diversas observações está uma mariposa pertencente à família Notodontidae – subfamília Dioptinae. Segundo o nosso especialista em Lepidoptera Jorge Bizarro, esta não é uma espécie tão fácil de ser avistada, fato que dificultou a sua identificação. Foi possível descobrir que ela pertence à subfamilia Dioptinae, grupo de mariposas neotropicais que voam durante o dia, muitas das quais exibem uma coloração brilhante de asas. Mesmo não sendo uma tarefa tão simples, compartilhar observações na plataforma Inaturalist permite pôr em prática a ciência cidadã e a troca de conhecimento dentro de uma comunidade curiosa e disposta a identificar diferentes espécies pelo mundo. Esse processo permite que os especialistas, os amantes de algum grupo de animais ou plantas, curiosos e apaixonados pelo mundo natural possam trocar ‘figurinhas’.   

 Mesmo que o Bioblitz tenha terminado, ainda contamos com o REGUA Biodiversity Celebration que até o fim de ano deve chegar a 10.000 observações. A ideia é que todos que tenham fotografado alguma espécie de fauna ou flora na REGUA possam contribuir com um maior número de observações fazendo o ‘upload’ de fotos, mesmo elas sendo mais antigas. Quer contribuir para conseguirmos alcançar esse resultado? Entre no https://www.inaturalist.org/projects/regua-biodiversity-celebration e adicione a sua observação! 

A anta Jasmin de volta à natureza!

ANTAS VOLTAM ÀS FLORESTAS DO RIO DE JANEIRO APÓS 100 ANOS DE EXTINÇÃO  

O professor Maron Galliez, coordenador do projeto, tentando convencer a Jasmin a sair da poça (© João Stutz).

 

Os professores Fernando Fernandez, Alexandra Pires, Maron Galliez e Marcelo Rheingantz conceberam o projeto REFAUNA com o objetivo de reintroduzir e manejar espécies de fauna que estão extintas localmente ou que estejam sofrendo algum nível de ameaça dentro de sua distribuição original. A introdução de animais na natureza ajuda no restabelecimento da interação animal-vegetal e nos processos ecológicos, contribuindo para o desenvolvimento de um ecossistema saudável e equilibrado. Os processos ecológicos fundamentais dos ecossistemas são o ciclo da água, o ciclo biogeoquímico (ou nutriente), o fluxo energético e a dinâmica dos ecossistemas, que contribuem para a permanência da biodiversidade a longo prazo. A fragmentação e a perda de habitat ao longo do tempo impactaram negativamente populações de médios e grandes mamíferos. A caça excessiva levou várias espécies de mamíferos a uma redução populacional significativa e à extinção de espécies.

O dia em que a Jasmin chegou na REGUA (© João Stutz).

Essa interferência humana na dinâmica florestal tem impactado a diversidade e abundância de espécies, resultando no que é conhecido como “defaunação” no Antropoceno.   O programa de reintrodução de antas desenvolvido pelo REFAUNA na REGUA teve início em 2017, e é apoiado e implementado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). Até o momento, 11 antas (fêmeas e machos) foram reintroduzidas no território da REGUA, e em agosto de 2020, tivemos a anta Jasmin chegando à REGUA. Ela veio do zoológico de Guarulhos, em São Paulo, e passou cerca de 3 meses no cercado de aclimatação para se familiarizar com o novo ambiente. A Jasmin recebia alimentação, aproximadamente 11 kg entre frutas e legumes, distribuída pelo Sidnei, que vinha todos os dias  alimentar e monitorar a Jasmin.

A Jasmin mal-humorada não querendo sair do seu cercado (© Vitor Marigo).

 Passados quase 3 meses, o dia da soltura finalmente chegou. No calendário, o dia anterior ao dia que de fato ocorreu a soltura estava agendado, no entanto, Jasmin estava um pouco mal-humorada e estressada, e por isso decidiu não sair do cercado. Ela se jogou na poça e decidiu ficar por lá. Respeitando a sua vontade e evitando um maior estress para o animal, somente hoje o portão pôde ser aberto permitindo que Jasmin deixasse o cercado sem hesitar. Os próximos dias serão muito importantes para acompanhar o desenvolvimento da Jasmin. Ela está sendo monitorada por uma rádio colar e provavelmente começará a buscar o local para se estabelecer. Bem vinda à natureza, Jasmin!

Guapiaçu III: Programa Piloto de Monitoramento dos Recursos Hídricos em Cachoeiras de Macacu

Monitora ambiental analisando macroinvertebrados (© Tatiana Horta).

O Programa Piloto de Monitoramento dos Recursos Hídricos (PPMRH) é uma ferramenta de educação ambiental que tem como objetivo sensibilizar os jovens para a importância dos recursos hídricos e os impactos da presença dos núcleos urbanos, demonstrando a relação floresta x água.

O programa é voltado para estudantes do Ensino Médio, de escolas públicas, do município de Cachoeiras de Macacu e Itaboraí e capacita os jovens para realizarem coletas e análises físico-químicas e biológica da água de 12 pontos de 3 rios da região: Macacu, Guapiaçu e Caceribu.

Em fevereiro desse ano, a equipe do projeto percorreu as escolas do município de Cachoeiras de Macacu apresentando a proposta do programa. Cinquenta jovens foram selecionados de um total de 92 inscritos. Depois de selecionados, os estudantes foram capacitados e se tornaram monitores ambientais.

Devido à pandemia, o curso presencial foi substituído pelo virtual, e em outubro, já foi possível migrar para o ensino híbrido, e assim, foram realizadas aulas práticas de coletas e análises de água. Seguindo as normas de segurança, orientações dos órgãos de saúde e com o uso de equipamentos de proteção individual, a turma foi dividida em pequenos grupos, mantendo a segurança durante a atividade. A prática foi realizada no ponto 7, em Boca do Mato, onde os estudantes puderam conhecer alguns dos macroinvertebrados bentônicos sensíveis à poluição, usados como bioindicadores da qualidade da água, presentes nesse local de coleta. A atividade desperta nos jovens um novo olhar, além de ser uma atividade bem diferente e divertida.

Em outubro, 45 monitores ambientais foram formados no município de Cachoeiras de Macacu, e agora esses jovens irão acompanhar a equipe do projeto nas coletas e análises de água dos rios. O novo desafio iniciado esse ano é a seleção online de estudantes do município de Itaboraí!

O professor Péricles e alunos colentando macroinvertebrados bentônicos (© Tatiana Horta).

Programa de Monitoramento Florestal.

Um reflorestamento bem sucedido depende da correta prática de manejo e de sua periodicidade (© Tatiana Horta).

 

Após o período de plantio das mudas florestais para a restauração ecológica, a fase conhecida como pós-implantação consiste na manutenção dessa futura floresta. É importante proteger as mudas plantadas especialmente dos efeitos negativos das plantas daninhas oportunistas, de pragas e doenças e quando necessário, repor (fazer o replantio) os berços falhados com novas mudas. Os objetivos dessa etapa compreendem tanto oferecer condições para o desenvolvimento das mudas no campo, como promover o estabelecimento delas. Um reflorestamento bem sucedido depende da correta prática de manejo e da periodicidade necessária à realização desta atividade. Em geral, existe um planejamento para este tipo de manutenção a cada 90 ou 120 dias, contados a partir do plantio. Consequentemente, as ações de manutenção favorecem a restauração e o restabelecimento dos processos ecológicos na área restaurada, a longo prazo.  

 

Dentre os serviços ecossistêmicos prestados pelo ambiente recuperado, podem ser citados: a melhoria do microclima local e regional, a regulação térmica e hídrica, a estabilidade de encostas, o aumento da qualidade e quantidade dos recursos hídricos e a garantia de biodiversidade através da conexão dos fragmentos de remanescentes florestais a partir da criação de corredores ecológicos. Para acompanhar se a nova floresta está se desenvolvendo adequadamente e cumprindo o seu papel ecológico é necessário monitorar e avaliar o seu crescimento. O objetivo do monitoramento florestal é acompanhar a evolução e medir tanto a qualidade como o sucesso dos plantios.  

 

Temos duas etapas de monitoramento: a primeira, que atende a Resolução INEA nº 143 de 14 de junho de 2017 e tem como objetivo avaliar a qualidade dos plantios; e a segunda, que avalia a biomassa acumulada e o estoque de carbono nos plantios de restauração do Projeto Guapiaçu. Este projeto é executado pela REGUA com o financiamento da Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental.                       A primeira etapa do monitoramento deve ser realizada anualmente após a implantação de projetos de restauração para fins de quitação de compromissos e obrigações legais. Neste monitoramento, utiliza-se o Manual de Procedimentos para o Monitoramento e Avaliação de Áreas em Restauração Florestal no Estado do Rio de Janeiro e a metodologia escolhida é o Diagnóstico Ecológico Rápido – DER.  

 

 

O Diagnóstico Ecológico Rápido – DER é a metodologia empregada durante o monitoramento (©Aline Damasceno).

Ele é baseado na medição direta de sete parâmetros ecológicos, que são: densidade de plantio, percentual de espécies zoocóricas, altura das plantas, equidade, riqueza de espécies, cobertura de copa e cobertura de gramíneas. A partir da avaliação destes parâmetros, espera-se observar a chegada espontânea de novos indivíduos da flora na regeneração natural, a presença de florações e frutificações para algumas espécies de mudas plantadas (em especial as espécies pioneiras) e também a presença da fauna no local, como insetos, aves, roedores e pequenos mamíferos. 

 

A segunda etapa é realizada após o quarto ano de implantação. Os plantios realizados na primeira fase do Projeto Guapiaçu, que reflorestou 100 hectares entre os anos de 2013 e 2015, receberam a certificação de carbono pela Aliança Clima Comunidade Biodiversidade (ACCB). Esta certificação teve como objetivo conferir um selo de qualidade a estes plantios que foram muito bem executados pela Regua. Os plantios realizados nas fases subsequentes deste projeto (mais 160 hectares) foram incorporados ao plano de monitoramento de acúmulo de biomassa, conforme metodologia e pressupostos certificados junto a ACCB, e podem receber a certificação quando completarem quatro anos de implantação. 

 

Equipe de campo durante o monitoramento (©Aline Damasceno).

 

O monitoramento de biomassa acontece a partir do quarto ano porque necessita que as mudas estejam com o seu DAP (diâmetro à altura do peito) mais desenvolvido para que possa utilizá-lo como parâmetro na aplicação de equações alométricas. Estas equações são usadas para a análise de biomassa e estoque de carbono nos plantios, bem como para obter os valores de CO2 sequestrado pela nova floresta.  Com isso, a REGUA assumiu o compromisso de monitorar o acúmulo de biomassa nestes plantios pelos próximos 30 anos. Espera-se que ao longo dos 30 anos sejam estocados mais de 13.500 toneladas de carbono e 49.680 toneladas de CO2 equivalente sejam removidos da atmosfera.

O filhote da anta Eva é macho.

Recentemente tivemos uma notícia muito triste, a anta Eva foi atropelada em uma estrada de terra por um motociclista, e dias depois foi encontrada morta. Felizmente o motociclista não se machucou gravemente. O filhote da Eva, que já tem oito meses de idade, não foi atingido. Estamos botando pontos de alimentação reforçados por onde Eva circulava com o filhote, vamos monitorá-lo com armadilhas fotográficas e se possível levá-lo para o cercado de aclimatação.

A última foto da Eva e o seu filhote juntos (© Refauna).

O atropelamento de animais silvestres é um grande problema, estima-se que 475 milhões de animais silvestres são atropelados por ano nas estradas do Brasil. No caso de animais de grande porte como as antas, esses atropelamentos podem causar acidentes graves. Respeitar os limites de velocidade e dirigir com atenção redobrada em estradas próximas à áreas naturais são meios de evitar esse tipo de acidente. Estamos providênciando, com apoio da prefeitura de Cachoeiras de Macacu, REGUA e Projeto Guapiaçu, redutores de velocidade e sinalização para a estrada próxima à REGUA, para reduzir a chance de novos acidentes.

Eva foi a primeira anta fêmea a ser reintroduzida na REGUA, viveu livre por quase três anos e deixou dois filhotes na natureza. Quando chegou ficava muito tranquila perto de pessoas, depois de solta em poucos meses ficou arisca e não se aproximava de ninguém, como uma anta selvagem. Estabeleceu seu território entre a REGUA e outras propriedades rurais, andava quase sempre junto da anta Valente, pai do seu filhote.

Se adaptou plenamente à vida livre, como se nunca tivesse vivido em cativeiro. Aprendemos muito com a anta Eva e estamos muito tristes com a sua morte, consola saber que teve uma boa vida livre, e que a reintrodução da Eva ajudou a acumular experiencia para a reintrodução de outras antas na natureza. Torcemos para que seu filhote tenha vida longa nas matas da REGUA.

As antas também são ótimas nadadoras (© Toca Seabra).

Tillandsia stricta

Quem nunca se deparou com essa pequena e charmosa bromélia em basicamente qualquer cantinho? A Tillandsia stricta é uma espécie de ampla distribuição, e no Brasil, ocorre do estado da Bahia ao Rio Grande do Sul. Ela tem hábitos epifíticos e está presente em regiões de mata, ocorrendo também em campos rupestres e na caatinga. Floresce durante todo o ano e seu pico de floração é em agosto. A Tillandsia stricta é considerada uma das mais características e conhecidas espécies dentro do gênero Tillandsia L., que conta com cerca de 600 espécies, sendo o maior gênero da subfamília Tillandsioideae 

Tillandsia stricta em flor (© Micaela Locke).

Suas flores com pétalas purpúreas a róseas dão um forte contraste ao colorido das brácteas florais vistosas. As brácteas são folhas vistosas e atrativas que possuem como principal função atrair polinizadores, mas que muitas vezes são confundidas com pétalas. Como grande parte das espécies de Tillandsia, elas têm grande valor ornamental, sendo constantemente extraídas de seu ambiente natural, colocando-as em risco de extinção, apesar de sua ampla distribuição geográfica. 

A família Bromeliaceae, da qual faz parte a subfamília Tillandsioideae está entre as poucas famílias em que a polinização por vertebrados predomina sobre a polinização por insetos.   

Estudos realizados na Mata Atlântica do Sudeste brasileiro têm constatado que as bromeliáceas formam o maior grupo de plantas ornitófilas e apresentam características florais específicas à polinização por beija-flores. A disponibilidade de flores ornitófilas ao longo do ano possibilita a permanência de beija-flores polinizadores na área. Isso propicia uma maximização do sucesso reprodutivo das espécies de plantas envolvidas, pois caso haja deslocamentos populacionais destas aves, devido a uma pausa na oferta de recursos, as primeiras espécies de plantas ornitófilas que florirem não encontrarão disponíveis seus agentes polinizadores. Dessa forma, as bromeliáceas devem ser consideradas fundamentais para a manutenção local da fauna de beija-flores residentes na Mata Atlântica, beneficiando não somente estas aves como também as próprias bromeliáceas ornitófilas e outras espécies da comunidade que utilizam estas aves como seus vetores de pólen.