All posts by Micaela Locke

Uma atualização sobre a restauração florestal na REGUA (Agosto de 2020).

 

As atividades de restauração ecológica seguem com todos os cuidados e medidas preventivas de saúde aos trabalhadores durante este período de quarentena.

Até o momento já reflorestamos 18 hectares na área da REGUA, com o plantio de aproximadamente 30.000 mudas de 113 espécies diferentes. A manutenção das áreas do projeto plantadas nos anos de 2017 e 2019 também estão sendo realizadas. Além disso, estamos nos preparando para plantar mais 14 hectares em áreas de parceiros das comunidades do entorno da REGUA.

Assim, nossos parceiros produtores rurais, terão a oportunidade de recuperar as suas Áreas de Preservação Permanente (APP), principalmente as produtoras de água como nascentes e as matas ciliares (beiras de rios). Para isso, um banco de áreas para restauração está sendo criado, com a parceria entre os proprietários de novas áreas e a REGUA.

O Projeto Guapiaçu III inaugura ‘trilha virtual’ na Reserva Ecológica de Guapiaçu

Uma das imagens de drone que pode ser visualizada durante o tour (© Projeto Guapiaçu)
Uma das imagens de drone que pode ser visualizada durante o tour (© Projeto Guapiaçu)

 

A semana do Meio Ambiente (01/06 a 05/06 de 2020) começou de maneira muito entusiasta com a visualização da trilha “Grande Vida” de forma remota. O percurso vai desde o início da trilha Amarela até a ponte de madeira, onde o itinerário é inteiramente narrado e acompanhado pelos sons das aves que frequentam os alagados da REGUA. É possível selecionar ícones como fotos e cartazes autoexplicativos que estão presentes ao longo da trilha mostrando fotos da biodiversidade da Mata Atlântica, das pegadas de animais, da vista dos alagados, dos processos florestais e de alguns dos trabalhos de conservação realizados na REGUA.

A ideia é bastante inovadora, pois mesmo que já existam algumas visitações virtuais em Parques Nacionais em todo o país, esta é a primeira trilha virtual feita em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Cabe ressaltar que o “home office”, método de trabalho que mudou a rotina de muitos profissionais no mundo inteiro, está longe de interromper o contato das pessoas com a natureza. Desta maneira é essencial criar ferramentas de compartilhamento de conteúdo, assim como acompanhar as tendências da mídia digital. A semana de Meio Ambiente também contou com diversas Lives que foram transmitidas pelo Instagram abordando temas relativos aos demais projetos patrocinados por meio do programa Petrobrás Socioambiental, que fazem parte da Redágua – Rede Águas da Guanabara. Todas estas iniciativas são uma maneira de trazer um pouco de inspiração para quem está em quarentena, respeitando o isolamento social.

O acesso ao tour virtual pode ser feito através do seguinte link: https://www.projetoguapiacu.com/

Novo livro da REGUA pronto para ser publicado: Guia de observação das Borboletas da Serra dos Órgãos

Capa do quarto livro da REGUA <em>Guia das Borboletas da Serra dos Órgãos</em>
Capa do quarto livro da REGUA Guia das Borboletas da Serra dos Órgãos

Em 2015, Alan Martin e Jorge Bizarro começaram a trabalhar em um guia de observação de borboletas para dar continuidade às demais publicações específicas da área da REGUA (mariposas, libélulas e pássaros). O que começou como um projeto de três anos acabou levando cinco anos, em parte porque o número de espécies registradas na área é maior do que foi previsto e também porque foi muito difícil obter fotos de algumas espécies mais raras.

O livro está prestes a ser impresso e abrange 803 espécies (exceto a subfamília Hesperiinae, em inglês conhecidas como “Grass skippers”) com descrições, comparações com espécies semelhantes, distribuição global e informações sobre ecologia, comportamento e plantas hospedeiras. Todas, exceto três das espécies, são ilustradas com mais de 1.300 fotos de espécimes vivos. As demais foram fotografadas a partir de exemplares de museus e de coleções particulares. Há também textos introdutórios para cada família, subfamília e tribo.

O livro será distribuído pela NHBS, porém no Reino Unido é aconselhável encomendar o livro ao Alan Martin a um preço reduzido de £30,00 mais £5,00 da postagem. Todos os lucros da venda do livro serão revertidos para a REGUA.

Ecdise

(© Rodrigo Fonseca)
(© Rodrigo Fonseca)
(© Rodrigo Fonseca)
(© Rodrigo Fonseca)

A caninana Spilotes pullatus, uma espécie semi-arborícola, que se alimenta de pequenos roedores, anfíbios, lagartos e até outras serpentes é facilmente encontrada em florestas, em áreas mais abertas como pastos e trilhas, e inclusive, pode se aproximar de habitações humanas em busca de alimento. Apesar de ser uma espécie de grande porte, podendo alcançar até 3 metros, é muito ágil e não peçonhenta, com coloração amarela e preta.

Recentemente, foi encontrada a pele deixada após a muda, também chamada de ecdise, de uma caninana, que em indivíduos adultos, ocorre em média, uma vez por ano. Esse processo é realizado quando a camada mais superficial da pele, que é formada por queratina, é trocada por uma nova. Essa troca pode ocorrer durante seu crescimento ou quando a camada mais externa é danificada. A ecdise dura em torno de 5 a 7 dias e durante esse período a serpente fica mais vulnerável aos predadores pois sua visão fica prejudicada devido ao acúmulo de fluidos entre a pele nova e antiga.

Panelas

Um casal de sapos-martelo <em>Boana faber</em> em uma panela (© Rodrigo Fonseca)
Um casal de sapos-martelo Boana faber em uma panela (© Rodrigo Fonseca)
Sapo-martelo <em>Boana faber</em> em uma panela (© Rodrigo Fonseca)
Sapo-martelo Boana faber em uma panela (© Rodrigo Fonseca)

Um dos pesquisadores que está atualmente conduzindo seu trabalho de campo na REGUA, Rodrigo Fonseca, vem estudando a percepção e colonização dos habitats reprodutivos (poças, alagados, riachos, etc) pelos anfíbios anuros e quais elementos da paisagem (árvores e arbustos) favorecem essa dinâmica.

Seu trabalho inclui saídas de campo noturnas, onde realiza amostragem de poças e uma técnica de marcação e recaptura de indivíduos. Ele é aluno de mestrado do Programa de Pós-graduação em Ecologia da UFRJ.

Durante suas atividades, comumente encontra o sapo-martelo Boana faber, espécie que tem como característica formar pequenos ninhos chamados de “panelas” onde os machos vocalizam para atrair as fêmeas, que por sua vez, avaliam as condições das panelas e assim, decidem se irão utilizar aquele ninho. Se a fêmea escolher o ninho, o macho realiza o abraço nupcial, também chamado de amplexo, onde juntos liberam os gametas na água que gerarão em torno de 3.000 ovos dentro do ninho.