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No microuniverso das Bromélias

Quando observamos um riacho, é impossível não perceber a quantidade de folhas que nele caem. As folhas da vegetação ao seu redor representam uma importante fonte de energia para os organismos aquáticos. Contudo, apesar de serem encontradas em grande quantidade, esse alimento possui uma qualidade inferior relativamente às algas, também encontradas em ambientes aquáticos. Está em curso atualmente, um grande debate na área de Ecologia de Ecossistemas sobre qual deles é o alimento mais importante para as relações alimentares entre organismos aquáticos: as folhas mortas, em grande quantidade; ou as algas, de melhor qualidade?

Juliana em pleno trabalho no seu experimento nas pastagens do Campestre, em Guapiaçu.

Para obter uma resposta, Juliana Leal (MNRJ) utiliza bromélias-tanque como ecossistemas-modelo. As bromélias possuem muitas similaridades com os grandes ambientes aquáticos de água doce, especialmente em relação à presença de algas e folhas mortas como principais fontes de alimento para os organismos que a habitam. Através da sobreposição de diferentes malhas de sombrites, ela conseguiu 12 diferentes níveis de penetração de luz na água armazenada nas bromélias. Como as algas necessitam de luz para produzir seu alimento, a sua quantidade será afetada pela disponibilidade da mesma. Assim, Juliana espera verificar como os insetos aquáticos utilizam as algas e as folhas mortas como alimento: quanto maior a disponibilidade de algas, mais os insetos as consomem? – Ou existe uma quantidade mínima de algas necessária para que os organismos a utilizem como principal alimento?

Registros novos de borboletas para o Estado do Rio de Janeiro

Semomesia geminus (Fabricius, 1793), REGUA, RJ, Brasil (© Jailson da Silva)

Apesar do RJ ter sido historicamente uma das portas de entrada preferida de muitos dos naturalistas que nos visitaram – quer no tempo da Colônia, como no do Império – resultando num invejável precedente de alguns séculos de pesquisa e documentação da Biodiversidade no Estado; ainda aparecem ‘surpresas’ ocasionalmente e, inclusive, espécies novas para a Ciência, especialmente nos grupos menos estudados e amostrados.

Nesta postagem damos a conhecer dois registros novos de borboletas para o RJ, da família Riodinidae. Estas espécies foram documentadas – por meio de fotografia digital – por alguns dos nossos hóspedes, pesquisadores ou funcionários, em suas caminhadas pelas trilhas da REGUA.

Semomesia geminus possui registros no ES, MG e PE, pelo que seu aparecimento no RJ não foi uma surpresa total; tendo já sido fotografada uma meia dúzia de vezes nas trilhas da REGUA por várias pessoas, inclusive nossos guarda-parques.

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Calospila parthaon (J.W. Dalman 1823), REGUA, RJ, Brasil, December 2015 (© Sandra Lamberts)

Calospila parthaon é conhecida apenas da região Amazônica e referenciada na BA, tendo sido fotografada (ambos sexos) na Trilha São José, por nossos hóspedes Arnold Wijker e Sandra Lamberts em Dezembro de 2015, numa estadia de fotografia muito produtiva na qual registraram muitas ocorrências novas de Riodinideos na REGUA e na região do Pico do Caledônia (Parque Estadual dos Três Picos – PETP).

Bibliografia

SOARES, BIZARRO, BASTOS, TANGERINI, SILVA, DA SILVA & SILVA; 2011. Preliminary analysis of the diurnal Lepidoptera fauna of the Três Picos State Park, Rio de Janeiro, Brazil, with a note on Parides ascanius (Cramer, 1775). Tropical Lepidoptera  Research 21(2): 66-79.

BIZARRO, J. M. S. & A. SOARES, 2012. Semomesia geminus (Fabricius, 1793) (Lepidoptera: Riodinidae: Mesosemiini): First records for Rio de Janeiro and Pernambuco states, range extension and distribution map, with an assessment of its potential wider occurrence in Brazil. Check List 8(3): 548-550.

Na floresta com os Muriquis

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Southern Muriqui Brachyteles arachnoides na REGUA, 23 de janeiro de 2017 (© Andre Lanna)

A REGUA acaba de receber um projeto novo e realmente excitante: André Lanna, estudante de Doutorado da UFRJ sob orientação do Prof. Dr. Carlos Grelle, aprovou sua pesquisa na REGUA para monitorar a Diversidade de Mamíferos nas Montanhas da Serra do Mar do RJ.

Na primeira estadia de campo para tentar encontrar os Muriquis na Trilha Verde e mapear com GPS as trilhas ao redor do Rio Manuel Alexandre, afim de escolher os locais para instalação de armadilhas fotográficas visando identificar e quantificar as espécies de mamíferos encontradas na região. André confessa que padece um ‘fraquinho’ pelos Muriquis, dado que já estudou a espécie do Norte na Reserva Karen Strier em Caratinga, mapeando populações isoladas remanescentes tanto no Espírito Santo como em Minas Gerais.

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Rildo na REGUA (© Andre Lanna)

O Muriqui do Norte está na Categoria IUCN “criticamente ameaçada” dado que somente sobrevive em minúsculos fragmentos de Mata Atlântica, ao passo que seu primo do Sul “Brachyteles arachnoides” é ‘apenas’ “ameaçada” dado que as florestas remanescentes do SE do Brasil são bem mais extensas.

Logo no seu primeiro dia na REGUA, com a ajuda do Rildo, escutou um bando, voltando ao local no segundo dia não conseguiu contacto… até que no terceiro dia entre a Trilha Vermelha e a Verde encontrou o bando e conseguiu seguir o mesmo praticamente durante o resto do dia.

Emocionado e feliz, nos relatou que parecem muito dóceis e aceitaram sua presença, exceto por um macho mais desconfiado. Está previsto um novo campo em breve e quiçá, o foco de sua tese mude totalmente para o Muriqui da Serra dos Órgãos!