Tillandsia stricta

Quem nunca se deparou com essa pequena e charmosa bromélia em basicamente qualquer cantinho? A Tillandsia stricta é uma espécie de ampla distribuição, e no Brasil, ocorre do estado da Bahia ao Rio Grande do Sul. Ela tem hábitos epifíticos e está presente em regiões de mata, ocorrendo também em campos rupestres e na caatinga. Floresce durante todo o ano e seu pico de floração é em agosto. A Tillandsia stricta é considerada uma das mais características e conhecidas espécies dentro do gênero Tillandsia L., que conta com cerca de 600 espécies, sendo o maior gênero da subfamília Tillandsioideae 

Tillandsia stricta em flor (© Micaela Locke).

Suas flores com pétalas purpúreas a róseas dão um forte contraste ao colorido das brácteas florais vistosas. As brácteas são folhas vistosas e atrativas que possuem como principal função atrair polinizadores, mas que muitas vezes são confundidas com pétalas. Como grande parte das espécies de Tillandsia, elas têm grande valor ornamental, sendo constantemente extraídas de seu ambiente natural, colocando-as em risco de extinção, apesar de sua ampla distribuição geográfica. 

A família Bromeliaceae, da qual faz parte a subfamília Tillandsioideae está entre as poucas famílias em que a polinização por vertebrados predomina sobre a polinização por insetos.   

Estudos realizados na Mata Atlântica do Sudeste brasileiro têm constatado que as bromeliáceas formam o maior grupo de plantas ornitófilas e apresentam características florais específicas à polinização por beija-flores. A disponibilidade de flores ornitófilas ao longo do ano possibilita a permanência de beija-flores polinizadores na área. Isso propicia uma maximização do sucesso reprodutivo das espécies de plantas envolvidas, pois caso haja deslocamentos populacionais destas aves, devido a uma pausa na oferta de recursos, as primeiras espécies de plantas ornitófilas que florirem não encontrarão disponíveis seus agentes polinizadores. Dessa forma, as bromeliáceas devem ser consideradas fundamentais para a manutenção local da fauna de beija-flores residentes na Mata Atlântica, beneficiando não somente estas aves como também as próprias bromeliáceas ornitófilas e outras espécies da comunidade que utilizam estas aves como seus vetores de pólen.